Análise Crítica, Formas de Gestão e Práticas Transformadoras em Organizações.
Configuração da proposta:
São as seguintes as linhas de investigação referenciais dentro deste tema de interesse:
- Articulação entre a reflexão critica e a prática (uma práxis crítico-transformadora) em organizações;
- Crítica aos "modelos" hegemônicos de gestão e de organização e construção de contra-hegemonia (alternativas);
- Autocrítica e resistência (enfrentamento) na construção de alternativas de gestão e de organização;
- Diferentes formas de gestão e de organização do processo de trabalho e de produção: Economia Solidária; Autogestão; Cooperativismo Popular; Comunidades Tradicionais; Organizações Coletivistas (de Trabalho); Organizações Solidárias de Produção - OSP, etc.;
- Articulações contraditórias entre formas coletivistas de organização e o modo de produção capitalista.
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Tema de Interesse 02
Agência, Institucionalização e Gestão de Organizações no Brasil: discutindo agência socialmente imersa.
Configuração da proposta:
O tema estrutura/agência nas ciências sociais já perdura há algumas décadas e continua frutífero, seja definido enquanto dilema (Reed, 2003) ou como saída para dicotomias em vias de esgotamento em vários campos de estudo (Giddens, 2003). Desde, pelo menos, a publicação do já clássico artigo de Granoveter (1985) sobre o problema da imersão social da ação econômica, pesquisadores sociais não conformados com as versões estritamente contingencialista (defensora do determinismo ambiental sobre os atores sociais) ou estritamente racionalista (defensora de uma noção de ator social sempre consciente, auto-interessado, utilitarista e egoísta) encontraram na relação entre estrutura e agência caminho alternativo para entendimento de processos sociais e organizacionais de fundamental importância: mudança, formação de instituições formais, institucionalização, prática estratégica, dentre outros.
O foco dessa vertente intermediária recai sobre os contextos de relação social, nos quais estruturas sociais vigentes e a capacidade de agência dos atores sociais (Emirbayer & Mische, 1998) reproduzem certos aspectos do sistema social, enquanto mudam outros. A complexidade e riqueza dessas idéias vêm viabilizando, mais recentemente, o surgimento de novas vias para análise de questões organizacionais – e para a teorização – que, anteriormente, eram tomadas como expressão de contradições e incongruências do campo. Trata-se, em especial, das relações entre estratégia, mudança e processos de institucionalização organizacionais, ambientes institucionais e técnicos, teorias de economia de organizações (em especial, a RBV) e sociologia institucional, empreendedorismo institucional, dentre outras (ver, por exemplo, os textos de Machado-da-Silva, Fonseca & Crubellate, 2005; Queiroz, Vasconcelos & Goldszmidt, 2007; Helfat & Peteraf, 2003; Garud, Hardy & Maguire, 2007).
Em recente fórum da Organization Studies, Garud, Hardy e Maguire (2007) se referiram à relação estrutura-agência como um “paradoxo da agência (socialmente) imersa”. Além da questão que funda esse aparente paradoxo, na abordagem daqueles autores (´se os atores são imersos em campos institucionais e sujeitos a processos que estruturam e definem sua cognição, interesses, identidades, como aqueles atores podem antever – e construir – novas práticas?´), outras questões podem ser apontadas como merecedoras, ainda, da dedicação de pesquisadores para o avanço da teoria das organizações, da Administração, e da prática organizacional:
- Quais fatores podem explicar a maior ou menor capacidade de diferentes atores sociais para romper, negociar, estabelecer, novas ordens institucionais?
- Como poder, recursos, legitimidade, racionalidade – dentre outros fatores – podem afetar a relação estrutura-agência, constituindo ou não atores sociais com condições para arcar com o custo da liderança e implementar mudanças institucionais?
- O impacto desses fatores é diferente, em diferentes contextos organizacionais-administrativos (organizações públicas, privadas, não-governamentais)?
- Como traços culturais no Brasil (e em organizações brasileiras) afetam essa relação?
- Como a fragilidade institucional brasileira afeta a gestão de organizações aqui localizadas?
- Quais métodos são mais apropriados para observação empírica e posterior análise teoricamente fundamentada dessa relação recursiva (ou paradoxal?!) entre estruturas sociais e agência?
Outras questões que explorem o tema, sob os vários recortes teóricos e metodológicos possíveis, e que não são aqui mencionadas, serão obviamente bem-vindas, quando discutidas com o necessário rigor.
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Tema de Interesse 03
Discurso, Comunicação e Organização.
Configuração da proposta:
A importância da análise da comunicação e do discurso para a compreensão das organizações é destacada na obra de diversos autores (Karl Weick, David M. Boje, Cynthia Hardy, David Grant, Cliff Oswick, Mats Alvesson, James R. Taylor, Linda Putnam, Gail Fairhurst, entre outros).
Contudo, os estudos organizacionais brasileiros sob esta perspectiva ainda são incipientes. Neste sentido, a proposta deste tema de interesse é agrupar e estimular o diálogo entre pesquisadores brasileiros que explorem as relações entre discurso, comunicação e análise organizacional.
Em particular, o grupo espera atrair trabalhos que explorem práticas discursivas em contextos organizacionais, privilegiando a compreensão da linguagem em uso e o caráter constitutivo da comunicação e ultrapassando a dimensão representativa da linguagem e o uso instrumental da comunicação.
Acredita-se, ainda, que este tema possibilita a promoção de uma reflexão que fuja aos padrões predominantemente funcionalistas que têm sido utilizados nas discussões sobre a comunicação organizacional, no contexto da Administração. Abre-se, com este tema de interesse, um espaço importante para o diálogo com outras áreas de pesquisa sobre o tema, tais como a sociolingüística, a comunicação social, a sociologia, a semiótica, e a antropologia.
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Tema de Interesse 04
Redes e Relacionamentos Intra e Interorganizacionais: as redes como mecanismo e contexto para a construção de conhecimento em Estudos Organizacionais.
Configuração da proposta:
O assunto Redes e Relacionamentos Inter e Intra-organizacionais é um campo profícuo de pesquisa dentro dos Estudos Organizacionais. Sua importância tem crescido nos últimos anos, tanto internacionalmente como no Brasil (MARTES et al., 2005). Esse desenvolvimento tem trazido amplas oportunidades de pesquisa, mas, ao mesmo tempo, diversos desafios (KILDUFF; TSAI, 2003). É no intuito de abrir espaço para a discussão da importância dessas pesquisas para a geração de conhecimento nos Estudos Organizacionais, bem como para o aprimoramento das Práticas de Gestão no Brasil, a partir da perspectiva e da estrutura de redes, que se propõe essa temática.
Em face ao exposto e à diversidade que permeia esse campo de conhecimento, a proposta é englobar trabalhos tanto na abordagem de redes como forma organizacional, quanto como perspectiva de análise (POWELL; SMITH-DOERR, 1994). Nessa primeira abordagem, as redes são apresentadas como uma forma alternativa de organização, que vai além do modelo puramente de mercado ou de hierarquia (RING; VAN DE VEN, 1992). Ela engloba a Sociedade em Rede, conforme Tichy e Castells, as redes estrategicamente construídas, conforme Kogut, Gulati, Nohria, e as redes aglomeradas (BRUSCO, 1982; HANSEN, 1992; DIGIOVANNA, 1996). A segunda abordagem envolve as redes sociais como uma perspectiva de análise. Nela o pressuposto é que as ações dos indivíduos estão imersas em uma estrutura de relacionamentos que influencia seus resultados (GRANOVETTER, 1985). Assim, para se compreender as organizações, faz-se necessário entender a rede de relacionamentos que a permeia, sejam esses relacionamentos inter ou intra-organizacionais. Destacam-se aqui os trabalhos de Burt (1992), Mizruchi e Fein (1999), Krackhardt (1992) e Davis e Mizruchi (1999). Aceitam-se trabalhos de reflexão teórica sobre os mecanismos de criação, fluxo e uso dos conhecimentos, tanto em redes internas, como externas; trabalhos que contemplem discussões metodológicas, incluindo pesquisas sobre a utilização de softwares de redes sociais; trabalhos que analisam a dinâmica de socialização e criação de conhecimento no contexto das redes; abordagens que apresentem teorizações e evidências empíricas sobre mecanismos de gestão de redes; e temas de gestão de conhecimento, por exemplo, com apresentação de casos. Convergem também temas relacionados aos diversos arranjos de redes de pequenas empresas, ou formas de redes a partir de processos de desverticalização. Entende-se que algumas áreas mais notadamente analisadas sob o formato de redes, como o agronegócio, a cadeia automotiva, as redes de serviços, as redes de varejo e as inúmeras formas de aglomerados de empresas constituem objetivo de pesquisas pertinentes ao tema.
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Tema de Interesse 05
Organizações e Culturas no Brasil: especificidades locais e regionais.
Configuração da proposta:
Questões ligadas às culturas organizacionais são inerentes ao funcionamento e desenvolvimento de qualquer organização e das relações de negócios. Sem conhecimento inato ou refletido previamente sobre a cultura, administrar torna-se uma atividade impraticável. Para que a gestão ocorra de modo consoante com a realidade em questão, ou seja, observando-se os significados que advém das culturas locais, mister se faz traçar o pano de fundo sobre o qual os procedimentos administrativos se desenvolvem.
Dentro da ótica antropológica de que não existe uma cultura superior a outra, cumpre dar voz aos integrantes do contexto local para que eles possam falar de suas realidades, gerando um conhecimento considerado diferente, mas não menor. Mesmo porque, com o avanço da globalização, a relação cultural do global com o local torna-se cada vez mais tensa. Por local e regional, consideramos os Estados que compõem o Brasil e/ou as cidades dentro desses Estados, considerando que esses espaços informam sobre a cultura do país ainda que de modo multifacetado.
Frente a esse contexto, vale então nos questionarmos: Conhecemos-nos enquanto brasileiros? Conhecemos nossas diferenças? Discernimos sobre nossas especificidades culturais locais? Entendemos como tais especificidades mobilizam o local de trabalho e as organizações para as quais trabalhamos? As abordagens qualitativas já foram exploradas nos estudos culturais locais e organizacionais em toda a sua potencialidade?
Os objetivos deste tema de interesse é captar textos com o propósito de:
· Questionar, organizar e produzir teorias e conceitos que sejam adequados as situações locais e regionais. A partir das descobertas empíricas pensa-se ser possível teorizar gerando uma produção que não venha a reboque do conhecimento produzido em âmbito externo ao contexto brasileiro. Pretende-se que, no mínimo possa-se dialogar evidenciando aspectos inerentes à realidade brasileira, pondo em xeque determinados conceitos tidos como universais e que, no mínimo, precisam ser revisitados, a exemplo das noções de gênero, família, sociabilidade, dentre outros.
· Refletir e explicitar as diversas abordagens e procedimentos metodológicos qualitativos utilizados no âmbito da investigação sobre culturas, organizações e especificidades locais. A abordagem qualitativa apesar de já ser aceita no âmbito dos estudos organizacionais, ainda apresenta pontos que precisam ser melhorados e discutidos visando ao aprimoramento e adaptabilidade à realidade organizacional sem ferir os fundamentos básicos dos métodos e técnicas empregados.
· Evidenciar e promover o conhecimento de organizações de diversos tipos que nos permitam identificar as nuanças das especificidades locais e suas influências nas culturais organizacionais. Assim sendo, julga-se relevante considerar espaços organizacionais diferenciados como feiras, mercados públicos, escolas de samba, dentre outros.
Este grupo não contemplará pesquisas que enfoquem como primeira instância a cultura nacional (cultura brasileira), a cultura de grandes regiões (nordeste, sudeste, sul, etc.), a cultura profissional ou de um setor de atividades. O eixo primeiro de análise deve ser o de culturas de um Estado brasileirou ou de cidades dentro de um desses Estados.
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Tema de Interesse 06
Simbolismos e subjetividades nas práticas de gestão no Brasil.
Configuração da proposta:
O objetivo deste grupo temático é reunir artigos que possibilitem a compreensão das práticas de gestão no Brasil, por meio de abordagens multidisciplinares que considerem a dimensão simbólica e as subjetividades envolvidas nesses processos. Tendo em vista a relativa falta de consenso sobre o conceito de subjetividade, bem como a escassez de produção de conhecimento nesta perspectiva sobre as práticas de gestão no Brasil, admitem-se neste grupo temático, diferentes perspectivas epistemológicas, teóricas e metodológicas. Com base nessas contribuições busca-se compreender as práticas de gestão no Brasil como objeto de estudo complexo, em movimento, o que leva a pensar as ações do administrador em relação aos contextos organizacionais, como resultado também de sua subjetividade. Interessa compreender ainda, como se dão os processos de produção de subjetividades e de simbolismo nas práticas de gestão no Brasil.
A legitimidade desta proposta de grupo temático baseia-se no argumento de que parte da complexidade das práticas de gestão no Brasil emerge da forma como a dinâmica simbólica é produzida pelas subjetividades, presentes de maneira imbricada nas relações que envolvem pessoas que as (re)produzem e as negociam nas organizações. Outro aspecto a se destacar é a intenção em contribuir para a disseminação da perspectiva multidisciplinar, onde tanto os simbolismos como as subjetividades, sejam considerados nas construções sociais dos sujeitos implicados na (re)produção de práticas de gestão no Brasil.
Portanto, este grupo temático oferece espaço a estudos que envolvam a ótica das organizações como entidades simbólicas permeadas pelas subjetividades humanas. A partir dessa base os artigos a serem incluídos neste grupo temático devem focar a construção de conhecimento na área de Estudos Organizacionais em torno das seguintes questões:
- simbolismo, subjetividade e práticas de gestão pública, de empresas e de organizações não-governamentais;
- simbolismo, subjetividade e práticas de gestão no desenvolvimento social brasileiro;
- métodos de produção de conhecimento sobre simbolismo, subjetividade e práticas de gestão no Brasil.
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Tema de Interesse 07
Indústrias de Criação: Concepções e Práticas no Brasil.
Configuração da proposta:
No Brasil, as práticas de gestão organizacional formam, em conjunto, um mosaico rico e variado, compatível com a diversidade de realidades econômicas, sociais e culturais dispostas em múltiplos territórios. Este tema de interesse propõe a discussão de concepções e práticas de processos organizacionais envolvendo a economia criativa de modo a refletir como elas auxiliam a construção de conhecimento no campo dos estudos organizacionais e produzem impactos para o desenvolvimento local, regional e nacional. Compreende-se que na atualidade essas organizações se constituem um dos mais férteis terrenos para práticas inovativas, como também para pesquisa no âmbito da administração. Vinculadas a áreas como a cultura, a moda, o design, o lazer, a arquitetura, a criação em geral, entre outras, as indústrias de criação têm configurado arranjos e processos organizacionais os mais variados, levados a cabo por agentes públicos, privados e do terceiro setor, de forma isolada ou associada.
As grandes questões que orientam este grupo temático são:
- O que as práticas das organizações da economia da criação ensinam aos estudos organizacionais?
- Que tipo de conhecimento pode ser construído pelos estudos organizacionais a partir dessas práticas?
- Em que se diferenciam as indústrias de criação das indústrias culturais?
- Como essas organizações se vinculariam a um modelo autônomo de desenvolvimento para o Brasil?
Entendemos que, como os estudos organizacionais podem aprender a partir da observação e da compreensão de contextos organizacionais específicos, as indústrias de criação mostram-se um terreno particularmente fértil para este aprendizado. Com uma lógica regida pela e para a criação, essas organizações podem constituir-se num campo onde não predomine apenas o cálculo inerente ao processo de acumulação capitalista, mas uma amplitude mais variada de práticas de produção, sendo um dos setores econômicos que mais crescem na atualidade. Isso faz com que haja possibilidades de pesquisa e estudos interessantes, que, ao mesmo tempo, possibilitam uma renovação temática nos estudos organizacionais sobre novas práticas, como também tratam empiricamente de uma nova realidade de contextos organizacionais.
Convidamos pesquisadores a apresentarem trabalhos para este grupo temático a partir de diversos posicionamentos teóricos e metodológicos que tenham como eixo a economia criativa, suas organizações e práticas. Os trabalhos enviados poderão ser norteados pelos seguintes temas:
- Capitalismo, Indústria Cultural, Economias Criativas e Alternativas Organizacionais;
- Concepções e Práticas de Gestão nas Indústrias de Criação;
- Inter-relação Pública, Privada e Terceiro Setor na Organização da Economia Criativa no Brasil;
- Trabalho e Novas Relações nas Organizações da Economia Criativa.
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Tema de Interesse 08
Processos de Aprendizagem das Organizações.
Justificativa:
A partir dos anos 90, intensificou-se o interesse pela aprendizagem organizacional e a gestão do conhecimento, com diversos autores sugerindo um campo de pesquisas distinto de outros desenvolvidos pela teoria das organizações (SHRIVASTAVA, 1983, FIOL; LYLES,1985, DOGSON,1993, SMITH,1997, DI BELLA; NEVIS, 1998, NONAKA; TAKEUCHI, 1997; SMITH et al, 2001, DIEKERS et al, 2003). Em 1994, constituiu-se na Europa, uma network de estudiosos com o desafio de desenvolver uma compreensão exaustiva sobre aprendizagem organizacional. Desde então, as discussões passaram a girar em torno do sentido e do estado em que o campo vinha se delineando e os caminhos de sua expansão futura (DIEKERS et al, 2003).
O interesse sobre o assunto foi incorporado na pauta de discussão da academia brasileira neste mesmo período. Loiola e Bastos (2003) mapeando a produção científica no Brasil, nos principais periódicos da área de administração e anais dos dois mais importantes congressos científicos, no período compreendido entre 1997-2001, identificaram variação positiva de 128% na quantidade de trabalhos que versaram sobre o tema. Quando se contempla, mais recentemente, essa evolução, focalizando a área de Estudos Organizacionais, pode-se constatar que o assunto continua em voga. Por exemplo, no período de 2001 a 2007, nos encontros da ANPAD, observa-se um crescimento de 67% nos artigos que discutiam a aprendizagem.
Autores nacionais publicaram também obras relevantes nestas áreas nos últimos dez anos: FLEURY, 1997, FLEURY;OLIVEIRA, 2001, TERRA, 2001, RUAS, 2005, criando um campo de referência já consolidado no país. Teses e dissertações sobre estes temas têm sido produzidas nos principais centros de pós-graduação em Administração do país.
Tais constatações sugerem que a aprendizagem organizacional vem sendo incorporada e internalizada nos estudos sobre as organizações de forma acelerada e definitiva. O Handbook of Organizational Studies (CLEGG: HARDY; NORD,orgs 1996) incluiu, entre os diferentes campos mapeados na edição original (publicada em tradução (CALDAS; FACHIN; FISCHER, orgs edição brasileira,) em 3 volumes - a primeira em 1999 - com contribuições críticas de autores nacionais , o artigo de Karl Weick, Organizational Learning:: affirming na oxymoron). Uma análise qualitativa do conteúdo dessa produção demonstra também que ela ganha maior consistência quando integrada à teoria da firma baseada em recursos e, também, dentro dela, à noção de competências (embora esta seja preocupação típica da área de Gestão de Pessoas). No campo organizacional entendemos que aprender é construir competências (organizacionais e individuais) o que somente é possível por meio do gerenciamento do conhecimento.
Por outro lado, há de se reconhecer a crítica que autores respeitáveis dirigem às dificuldades que a aprendizagem organizacional vem encontrando para consolidar-se como campo específico de produção teórica. Argumenta-se que, apesar da extensa produção na área, ela vem sendo incapaz de criar um avanço cumulativo de conhecimento empiricamente comprovável, o que dificulta a sua circunscrição enquanto um campo sustentável (SMITH,1997, SMITH et al, 2001; PRANGE, 2001). Isto porque seus limites conceituais são considerados como maleáveis, tênues e tendentes ao encontro de outras teorias (DIEKERS et al, 2003).
Embora se reconheça a crítica ao campo teórico, sua atratividade no Brasil e no exterior e a produção até aqui gerada no país estimulam os autores deste documento a propô-lo como foco de um grupo temático no EnEO. Acredita-se que, destacando este tema,, a academia brasileira poderá participar de forma diferenciada de um debate que hoje já está disseminado entre profissionais e pesquisadores em gestão no Brasil e no plano internacional.
Objetivo do grupo temático:
Promover, no âmbito do EnEO, a discussão sobre a teorização em como a organização aprende e os desdobramentos das práticas no desenvolvimento do conhecimento organizacional.
Perfil dos artigos a serem submetidos à avaliação:
- Os artigos a serem submetidos devem necessariamente versar sobre o campo da aprendizagem organizacional.
- Cabe destacar que os artigos serão classificados em dois grupos, a saber: grupo 1- Ensaios Teóricos, grupo 2- Pesquisas Empíricas.
- O Grupo 1- Ensaios Teóricos refere-se a artigos que privilegiam a exposição lógica e reflexiva, com alto nível de interpretação e julgamento, sem, contudo, se apoiar, necessariamente, em dados empíricos.
Ao contrário, o Grupo 2 - Pesquisas tratam da comunicação dos resultados de uma pesquisa e de uma reflexão que versa sobre o tema escolhido, em que se apresentam os avanços teóricos obtidos ou as implicações dos resultados para a teoria.
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Tema de Interesse 09
Práticas de gestão nas empresas familiares.
Configuração da proposta:
As empresas familiares diferenciam-se das empresas não familiares por serem empresas de longo ciclo e pelo delineamento estratégico fortemente atrelado ao desenvolvimento do espaço social onde foram fundadas. A figura do fundador geralmente está atrelada às características de um empreendedor, na perspectiva schumpeteriana, mas a continuidade da empresa familiar pode não estar vinculada à capacidade empreendedora do sucessor. Admitem-se assim práticas de gestão que revelam a existência de intra-empreendedorismo nas empresas familiares, entre outras práticas inovadoras que fazem destas organizações diferenciarem-se das demais, tanto no Brasil quanto na Argentina.
“Práticas de gestão em empresas familiares” é assim proposto como tema de interesse, reunindo, na origem, pesquisadores do Brasil e Argentina, para ampliar o campo de reflexão sobre o objeto de pesquisa “empresa familiar” em direção ao empreendedorismo na América Latina de forma que possamos apreender as práticas e estruturar uma agenda de pesquisa adequada ao contexto contemporâneo nos Estudos Organizacionais Brasileiros.
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Tema de Interesse 10
Gênero: empoderamento de mulheres nas organizações.
Configuração da proposta:
Esta proposta de tema de interesse enfatiza a questão de gênero com o foco voltado para a questão das relações de poder e para o empoderamento das mulheres nas organizações. Os estudos sobre gênero têm sido de grande interesse desde a década de 60, quando os movimentos sociais sacudiram valores e comportamentos. Esse interesse decorre do fato de que mesmo nas sociedades em que as mulheres desfrutam de certo prestígio e poder social, o domínio masculino ainda se sobrepõe ao feminino, e as mulheres se mantêm distantes dos centros de decisão, salvo raras exceções. Assim, embora o grau de subordinação feminina varie de uma cultura para outra, a dominação masculina é ainda hoje, um fato. Um dos enfoques mais recentes nas pesquisas de gênero é o de empoderamento, que se alinha com o pensamento feminista radical – que centra a sua análise nas desvantagens de gênero e nas relações de poder nelas implícitas.
No campo dos estudos de gênero o empoderamento é uma ferramenta analítica muito importante que agrupa diferentes preocupações quanto ao impacto do desenvolvimento sobre as mulheres, e que congrega aportes teóricos de diferentes disciplinas como a psicologia, a antropologia, a ciência política, a sociologia, a educação, o direito, a administração e a economia.
A construção do conceito se relaciona com o tema do poder e com as relações das mulheres com este. Como sabemos, o tema do poder tem ocupado um lugar central nos debates das ciências sociais. Discute-se sobre a inclusão e a exclusão, sobre a gama heterogênea de sujeitos sociais que aspiram participar e ter uma identidade social definida na complexa arena do poder, assim como também sobre os desafios que as mulheres têm que enfrentar para inverter os esquemas que as deixam à margem dela.
A noção de empoderamento exprime a idéia de as mulheres poderem decidir sobre sua própria vida tanto nos espaços públicos e privados, bem como exercer poder em locais onde são tomadas decisões acerca das políticas públicas e de outros acontecimentos relativos aos rumos da sociedade.
Outra questão importante a respeito do empoderamento é que ele é um processo relacional no sentido de que envolve vínculos com outros atores, ou seja, para analisar o processo de empoderamento é preciso ter um olhar além do indivíduo e pensar no contexto e nas relações de poder nas quais o indivíduo está inserido. E é também conflituoso porque diz respeito a situações de dominação – explícitas ou implícitas – e à busca de mudanças nas relações de poder existentes. Assim, o empoderamento leva a mudanças tanto da posição individual como coletiva.
Para o estudo do empoderamento feminino um importante aspecto a ser considerado é a crescente inserção e participação das mulheres no mundo do trabalho, assim como sua atuação nas instâncias decisórias das políticas públicas e em organizações não-governamentais que lutam por uma transformação social. Esses fatores garantiram a inserção significativa das mulheres na esfera pública. Com a valorização da independência feminina pelo movimento feminista, o discurso do trabalho feminino como meio para a autonomia da mulher ganhou força, baseado no pressuposto de que este lhe daria mais independência em relação aos pais e ao marido.
Nas últimas décadas, a taxa de atividade feminina tem sido gradualmente incrementada e vem sendo acompanhada por outras estatísticas favoráveis à qualidade de vida feminina, como controle da fecundidade e o aumento na esperança de vida e no nível educacional das mulheres. Essas transformações podem abrir caminho para um processo de empoderamento pelo qual a submissão feminina seja substituída por condições sociais mais igualitárias entre homens e mulheres.
Assim sendo, a princípio interessa ao grupo discutir questões relacionadas a:
· Relações de Poder e Gênero
· Empoderamento de mulheres em empresas
· Atuação das Ongs para o empoderamento das mulheres
· Construções Teóricas sobre gênero e empoderamento
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Tema de Interesse 11
Temas Livres
Além dos dez temas acima, também é possível submeter trabalhos em temas mais livres, em conformidade com as grandes linhas de orientação relacionadas a seguir:
- Estudos e Pesquisas Organizacionais no contexto brasileiro
- Os Estudos Organizacionais e as práticas de gestão
- Os EOs e a construção do conhecimento em gestão
- A gestão pública e privada e os EOs
- A avaliação da produção científica na área de EOs
- Abordagens ao ensino de Estudos Organizacionais
- Maneiras de produção de conhecimento em EOs