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Pesquisa Avançada

Informativo 10/Jan - Fev - Mar/2006


Educação, Mercado de Trabalho e Sucesso Profissional
Para começarmos a entender o mercado de trabalho na nova economia, devemos ter em mente quatro palavras-chave: Tecnologia, Globalização, Serviços e Conhecimento. Isso quer dizer que para ter mais chances de sucesso profissional, as pessoas provavelmente precisarão dominar a fundo algum instrumento tecnológico. Estarão trabalhando numa empresa com ação dinâmica dentro e fora do País (ou numa atividade que possa ser exercida em qualquer lugar do mundo), de preferência no setor de serviços, e terão no conhecimento profundo sobre um ou mais temas o seu principal instrumento de ascensão profissional. É claro que as pessoas poderão perfeitamente viver de outra maneira. Mas as melhores oportunidades, a remuneração maior, os lugares mais estáveis ou as maiores chances de promoção beneficiarão os que estiverem trilhando o caminho certo.

O que as pessoas têm de aprender a fundo, hoje, é o trinômio matemática-computação-línguas estrangeiras, além, é óbvio, do português. A matemática é o código de lógica que precisa ser dominado para que se possa interagir no novo mundo. É essencial dominar informática e desenvolver capacidades multilinguísticas e multiculturais para o mercado de trabalho no futuro. Para se fazer negócios pelo mundo todo, é indispensável ter um bom entendimento das diferenças culturais existentes.

A grande novidade quanto a isso tudo é que tais disciplinas terão de ser aprendidas realmente a fundo.Não basta ser apenas “bom” em qualquer delas. Será preciso ser simplesmente excelente. O desenho que já se tem hoje do mercado de trabalho sugere que as profissões, carreiras, cargos ou funções capazes de oferecer as maiores chances de êxito pessoal exigirão o tipo de conhecimento derivado das matérias citadas anteriormente. Elas cobrem três das quatro palavras-chaves - Tecnologia, Globalização e Conhecimento - que dominarão o mundo do trabalho neste século.

Possivelmente, no mundo novo que se delineia em nossas frentes, a organização hierárquica tradicional das empresas mude drasticamente. O desenho dos seus organogramas, que ainda hoje se assemelha a pirâmide onde se amontoam infinidades de cargos, um acima do outro, dará lugar a uma forma mais retangular, onde as pessoas estarão ao lado uma das outras. Devemos preparar os jovens, para conduzir suas carreiras dentro de um ambiente em que haverá menos gente mandando e mais gente produzindo.

O poder, na verdade, tenderá a pertencer mais às pessoas que sabem do que aqueles que possuem títulos hierárquicos. O trabalho do futuro vai se realizar numa atmosfera “quase” escolar, onde todos deverão estar aprendendo o tempo todo.

Tudo que puder ser substituído por máquina será. Cada vez mais as máquinas tomarão o lugar da pessoa em todas as funções repetitivas, que não exigem raciocínio. Logo, os jovens devem fugir para longe de toda carreira que implique trabalho mentalmente mecanizado, e aproximar-se de áreas em que contem pontos o binômio inteligência-criatividade e a capacidade de interagir com gente.

O profissional do futuro vai ter que ser polivalente e cuidar da sua capacidade de aprender, muito mais do que preservar especializações. Vai ser preciso, igualmente, aprender a trabalhar em equipe, pois nada poderá ser feito por uma pessoa sozinha. Numa empresa, ou numa atividade, mais importante que o produto será o serviço prestado junto com ele. Enfim, para se dar bem no mercado de trabalho do futuro, vai valer muito mais saber tomar a iniciativa, não ter medo de correr riscos, saber se autogerenciar, estar permanentemente se reciclando e ter facilidade de se adaptar a mudanças.

Da mesma forma como o microprocessador é a alma da nova tecnologia, as pessoas, com suas qualidades individuais, serão tudo para o setor de serviços.

Finalmente, outro ponto-chave em relação ao mercado de trabalho da nova economia está na palavra globalização. Do ponto de vista da empresa, globalização é a capacidade de agir fora do seu país e no maior número possível de lugares no mundo. Para as pessoas, globalização é qualquer atividade que se possa exercer internacionalmente. Nada vai parar o movimento de internacionalização, e isso afetará muito mais do que se imagina a maneira como as pessoas vivem. Na economia deste início de próximo século, o mercado será, cada vez mais, o mundo inteiro, o público-alvo serão todos os povos. Nenhuma empresa ou atividade vai poder pensar sem ser de maneira globalizada, o que implicará uma busca constante da qualidade e melhora de desempenho.

Antônio de Araújo Freitas
Diretor de Acreditação da ANPAD




Mesa Redonda na Associação Comercial do Rio de Janeiro
O Programa de Estudos de Administração Brasileira (EBAPE/FGV), coordenado pelo professor Paulo Emílio Matos Martins, organizou e realizou, em conjunto com o Conselho de Relações Empresariais do Trabalho da Asociação Comercial do Rio de Janeiro, (ACRJ), presidido pelo Dr. Laudelino da Costa Mendes, no último dia 5, a mesa redonda: Visconde de Mauá: Empreendedor e Transformador da Economia Brasileira do Imério.
Na abertura desse evento o presidente da ACRJ, Olavo Monteiro de Carvalho, reempossou o professor Paulo Emílio como membro do referido Conselho para mais um mandato.
A mesa redonda sobre Mauá e o Empreendedorismo no Brasil se insere no projeto O Empreendedor e o Executivo Brasileiro do referido programa de investigação acadêmica.


Fucape Organiza Simpósio
O 3º Simpósio Fucape de Produção Científica, realizado nos dias 08 e 09 de novembro, em Vitória, reuniu mais de 250 estudantes, pesquisadores e profissionais da área de negócios. O evento é anual e tem o objetivo de incentivar a produção de pesquisas e promover o intercâmbio de conhecimentos. Foram apresentados cerca de 20 trabalhos desenvolvidos por alunos dos cursos de pós-graduação da Fucape, relacionados às áreas de Contabilidade Gerencial, Finanças e Administração Estratégica.

ENGEMA - Encontro Nacional sobre Gestão Empresarial e Meio Ambiente
A EBAPE e a EAESP, junto com a FEA/USP e com o apoio do IBRE/ FGV, organizaram na FGV-RJ, entre os dias 09 e 11 de novembro, a oitava edição do tradicional ENGEMA - Encontro Nacional sobre Gestão Empresarial e Meio Ambiente (mais detalhes www.ebape.fgv.br/engema).
O evento foi um grande sucesso com a participação de quase 400 pessoas nos três dias entre pesquisadores, administradores de empresas e públicos, ONGs e estudantes de pós-graduação.
Este ano o ENGEMA contou com o apoio da Klabin (Patrocínio Platina), Petrobrás, CAPES e Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, mostrando a inserção e credibilidade do evento no meio público e empresarial. O evento tem entre os coordenadores os professores José Carlos Barbieri (EAESP/FGV), Carmen Varella (EESP/FGV) e José Antonio Puppim de Oliveira (EBAPE/FGV).
O próximo ENGEMA será em 2007 com local e data ainda a serem determinados.


EBAPE/ FGV Co-organiza Seminários em Paris
A EBAPE/ FGV organizou, em conjunto com instituições de ensino francesas, três seminários em Paris, dentro das atividades do Ano Brasil - Franca. Os eventos ocorreram em duas das mais respeitadas instituições de ensino da Franca, a Universidade de Paris - Dauphine e a Escola Superior de Comércio de Paris (ESCP-EAP).
Em Paris-Dauphine foram realizados dois seminários. Em 29 de novembro foi tratado o tema 'Heterogeneidades, inegalidades e governança no Brasil', com as presenças dos professores Bianor Cavalcanti, Sueli Louro e Eduardo Marques, bem como do professor Zeferino Perin, da URI - Erexim. Em 01 de dezembro foi realizado, com as presenças dos professores Bianor Cavalcanti e Eduardo Marques, e do engenheiro Renato Queiroz, da Empresa de Planejamento de Energia do MME, o seminário ' Mercado de Energia Elétrica no Brasil. Tendências e incertezas econômicas e energéticas.
Na ESCP-EAP foi realizada, em 7 de dezembro, uma reunião do CERALE - Centre d'Etudes et Recherches Amerique-Latine Europe, de cujo conselho a EBAPE participa, ocasião em que foi abordado pelo professor Frederico Lustosa o tema das PPPs no Brasil, tendo participado também dos debates os professores Bianor Cavalcanti e Eduardo Marques. As atividades continuaram em 8 e 9 de dezembro, com a realização do seminário 'Estratégias e Desenvolvimento Internacional das Empresas Francesas no Brasil. Visões Cruzadas.', onde os professores participantes por parte da EBAPE apresentaram suas pesquisas relacionadas ao tema. Os palestrantes foram Bianor Cavalcanti, Hermano Thiry-Cherques, Enrique Saravia, Eduardo Ayrosa e Paulo N. Figueiredo.



Fucape na ONU
Os diretores da Fucape, Aridelmo Teixiera e Valcemiro Nossa, e o professor Fábio Moraes, participaram da 22ª Sessão do Isar (Grupo de Estudos em Contabilidade Internacional), promovida pela ONU, em Genebra, na Suíça. É a terceira vez consecutiva que a Fucape está presente no evento, que tem o objetivo de promover uma análise sobre a aplicação prática das questões relacionadas às normas internacionais de informação financeira.

Fucape publica em renomado periódico internacional
O diretor de Cursos da Fucape e PhD em Economia, Arilton Teixeira, teve seu artigo publicado na Review of Economic Dynamics, revista internacional renomada na área de negócios. Com o título “Como as barreiras ao comércio internacional afetam o progresso técnico”, o texto fala sobre os efeitos das ´políticas de liberação comercial sobre a adoção de novas tecnologias e o crescimento da produtividade.

Contador Global
O curso de Contador Global, implantado com exclusividade pela Fucape no Espírito Santo, foi apresentado como modelo de formação profissional ideal durante o Encontro Informal promovido pelo Ibef-SP – Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças de São Paulo, no último dia 21 de novembro. A palestra foi ministrada pelo diretor de Pesquisas da Fucape e consultor do Banco Mundial, Alexsandro Broedel, que abordou os desafios atuais da Contabilidade.

Seleção para mestrado em administração na Universidade de Caxias do Sul (UCS)
O Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade de Caxias do Sul (PPGAUCS) – Mestrado – está com as inscrições abertas para o processo seletivo até o dia 03 de março de 2006. As Linhas de Pesquisa desenvolvidas pelo Programa são Gestão da Inovação e Competitividade e Estratégia e Gestão da Produção.
Informações adicionais podem ser obtidas no site www.ucs.br , ou por meio de contato com a Coordenação do Programa pelo e-mail edorion@ucs.br">edorion@ucs.br ou pelos telefones (54) 3218 2100 ramal 2011, (54) 3218 2350, (54) 3218 2152.


Visita dos professores da Holanda à UFLA
O Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade Federal de Lavras – MG, recebeu, em outubro e novembro, a visita dos professores Dr. Simon W. F. Omta e Profª Drª Francisca T. J. M. Fortuin, da Universidade de Wageningen – Holanda, que atuaram como professores visitantes na área de Dinâmica e Gestão do Agronegócio.

Unigranrio prepara projeto de Mestrado em Administração
O Programa de Pós-Graduação em Administração da Unigranrio – Universidade Federal do Grande Rio, membro observador da ANPAD, está na fase final de elaboração de seu projeto de Mestrado em Administração, com área de concentração em gestão organizacional e Linhas de Pesquisa em Arranjos Organizacionais e Estratégias, Tecnologias e Gestão. O projeto será enviado a CAPES no início do ano para credenciamento. O corpo docente já vem trabalhando em interessantes pesquisas.

UNISINOS abre processo de seleção para curso de Mestrado
Os cursos de Mestrado em Administração e em Ciências Contábeis da Unisinos abrem as inscrições para a turma de 2006 no período de 03/01/2006 a 13/02/2006.
Maiores informações: ppgeconomicas@unisinos.br">ppgeconomicas@unisinos.br, http://www.unisinos.br/ppg/administracao / Fone: (**51) 3590 8186 (direto) / (**51) 3591 1122 Direta Ramal: 1566 ou 1594
Fax: (**51) 3590 8447


Dissertação de Mestrado de aluno da EBAPE recebe prêmio do Globo
A dissertação de Mestrado em Administração Pública de autoria de Carlos Henrique Dantas, intitulada: "A justiça distributiva como critério fundamental nas políticas públicas: O caso dos jogos Pan-Americanos na cidade do Rio de Janeiro", foi premiada com Menção Honrosa em concurso sobre o Rio de Janeiro pelo jornal O Globo.
O referido trabalho foi desenvolvido na EBAPE e orientado pelo Professor Marco Aurélio Ruediger. A dissertação analisa as conseqüências da realização dos jogos Pan Americanos para a dinâmica interna da cidade, e aponta para a possibilidade de uma bolha de turismo na Barra da Tijuca, e seus eventuais efeitos na dinâmica de desenvolvimento local.


RAP faz parte da coleção SciELO Brasil
A Revista de Administração Pública, da EBAPE/FGV, editado pela Profª Deborah Moraes Zouain, foi avaliada pelo Comitê Consultivo, sendo recomendada sua inclusão na Coleção SciELO Brasil.
SciELO é um modelo para a publicação eletrônica cooperativa de periódicos científicos na Internet. Especialmente desenvolvida para responder às necessidades da comunicação científica nos países em desenvolvimento e particularmente na América Latina, Caribe e Espanha, a metodologia proporciona uma solução eficiente para assegurar a visibilidade e o acesso universal dos periódicos de sua coleção.
É produto da cooperação entre a FAPESP, BIREME/ OPAS/ OMS e editores científicos, com o apoio do CNPq.


Teoria da EBAPE figura entre as Top-5 de periódico internacional
O diretor de Cursos da Fucape e PhD em Economia, Arilton Teixeira, viaja em Janeiro para os Estados Unidos e só retorna em fevereiro de 2006. Há seis anos ele é convidado pela Federal Reserve Board (Fed, o Banco Central americano) a desenvolver estudos como pesquisador-visitante, representando o Brasil. Teixeira, que teve como orientador de doutorado o Nobel de Economia 2004, Edward Prescott, dará continuidade à pesquisa direcionada aos custos de monopólios no setor de transporte sobre o crescimento econômico.

CNPq consolida grupo de pesquisa da Mackenzie
Foi divulgado o status de consolidado dado pelo CNPq a três grupos de pesquisa do Programa da Mackenzie. Os grupos de pesquisa que receberam este status são os que seguem.
1. Grupo de pesquisa em Valoração Empresarial, que é liderado pelos professores Leonardo Fernando Cruz Basso e Eduardo Kazuo Kayo.
2. Grupo de pesquisa em Liderança e Diversidade, que é liderado pela professora Darcy Mitiko Mori Hanashiro.
3. Grupo de pesquisa em Estratégia de Pequenas, Médias e Grandes Empresas, que é liderado pelo professor Moisés Ari Zilber.



Quanto vale ou é por quilo? O terceiro setor na produção acadêmica da área de Administração no Brasil
Em 2005 o cineasta paranaense Sérgio Bianchi lançou o filme “Quanto Vale ou É Por Quilo?”, onde traça um paralelo desconcertante sobre o comércio de escravos no Brasil até o século XIX e a exploração da miséria pelo marketing social do século XXI. A ácida crítica do cineasta tem endereço certo: as ONGs e as empresas – por meio de suas atividades de responsabilidade social corporativa - que atuam neste vasto campo conhecido como Terceiro Setor. Se o teor das críticas do filme pode ser considerado exagerado e injusto, o mesmo não se pode dizer sobre o feeling do diretor e roteirista: o Terceiro Setor é mesmo um campo dominado pela Administração, pelo menos no que diz respeito à academia.

Uma pesquisa realizada em 2002 pelo Centro de Empreendedorismo Social e Administração no Terceiro Setor (CEATS) da USP mostrou que dentre os projetos desenvolvidos pelos 38 centros de estudo que estudavam Terceiro Setor no Brasil à época (26 deles vinculados às universidades), 69% destes projetos eram voltados para cursos de extensão, treinamento, realização de eventos e consultoria, ou seja, atividades típicas de gestão e business. Neste mesmo levantamento pôde-se verificar que apenas 10% dos projetos destes centros de estudos eram voltados para a pesquisa.

Por outro lado, em levantamento conduzido por mim em 2002, utilizando o PROSSIGA (serviço que disponibiliza referências bibliográficas de documentos produzidos por pesquisadores e/ou bolsistas com currículos cadastrados no Sistema Lattes), pôde-se levantar 256 referências, com um predomínio absoluto (praticamente metade das referências) da área de conhecimento “Administração”.

O predomínio da área de Administração na construção e na difusão de conhecimento sobre o Terceiro Setor é uma peculiaridade brasileira, uma vez que em outros países este é um campo normalmente ligado à Sociologia, à Ciência Política, à História e à Economia. Assim sendo, o momento da produção científica sobre Terceiro Setor no Brasil merece uma profunda reflexão por parte dos pesquisadores do campo da administração.

No último Enanpad (2005), a área de Administração Pública e Gestão Social teve o predomínio de submissões (475 submissões/125 trabalhos aprovados). Este número expressivo de submissões se deve, em grande parte, a trabalhos cujos temas eram a gestão de organizações do Terceiro Setor ou, de algo forma, faziam referência a essas mesmas organizações. Assim, pode-se intuir que a pesquisa sobre Terceiro Setor tem se tornado quantitativamente importante também dentro do próprio campo de estudos em Administração no Brasil.

Se por um lado, há uma crescente produção brasileira sobre Terceiro Setor no campo da Administração, por outro lado, seus resultados não são satisfatórios para a geração de conhecimento de qualidade e que seja apropriado à realidade brasileira. Isto se deve a pelo menos dois problemas graves.

O primeiro problema resulta da pequena diversidade e qualidade da composição do referencial teórico sobre Terceiro Setor nos trabalhos ditos científicos. Como apontaram Edson Sadao Iizuka e Hironobu Sano em um survey sobre os trabalhos apresentados nos Enanpads até 2003, as citações têm se concentrado em poucos autores e, em especial, em obras de caráter prescritivo, com baixo número de citações de artigos acadêmicos nas revisões bibliográficas dos artigos. Isso leva à pobreza conceitual e epistemológica que contamina a maior parte das pesquisas realizadas.

Um exemplo deste fenômeno ocorre quando se discute o reconhecimento ou não da heterogeneidade das organizações do Terceiro Setor. A maior parte dos autores na área de Administração reconhece o Terceiro Setor como um espaço heterogêneo de ações e organizações. O que é estranho é que ás vezes, no mesmo texto que proclama sua diversidade, o Terceiro Setor também é tratado como se fora homogêneo. Isso ocorre porque, na maior parte das vezes, os autores assumem a definição estrutural/operacional de organizações sem fins lucrativos do Johns Hopkins Comparative Nonprofit Sector Project como o conceito universal sobre Terceiro Setor, quando se trata apenas da definição de uma unidade de análise de pesquisa. As contradições entre definições heterogêneas e homogêneas de Terceiro Setor dentro de um mesmo texto mostram, mais do que uma simples confusão taxionômica, a constituição de um discurso homogeneizado, não por um processo dialógico, mas sim monólogico. Os pesquisadores aceitam que o setor é diverso, mas, para categorizá-lo, empregam conceitos que dominam (ou pensam dominar) para criar um monopólio de saber sobre o universo não-lucrativo a partir de seu próprio ponto de vista.

Decorrente do problema da pequena diversidade e qualidade da composição do referencial teórico, o segundo problema localizado nas pesquisas da área de Administração sobre Terceiro Setor é a criação de uma mitologia sobre verdades inquestionáveis sobre as organizações do Terceiro Setor. Desta mitologia resultam aforismos de difícil sustentação.

Um desses aforismos é a predominância da racionalidade substantiva em organizações do Terceiro Setor. Embora existam de fato configurações mais substantivas, não se pode partir de antemão deste pressuposto, justamente porque se trata de um campo heterogêneo. Afinal, o Terceiro Setor compreende tanto grupos desorganizados (ou melhor, agrupamentos) quanto grandes burocracias, tais como as grandes fundações internacionais ou organizações híbridas, tais como as organizações do Sistema S (Senac, Sesi, Senai, Sesc etc).

Outro aforismo é a inadequação das teorias do campo da Administração para o entendimento das organizações do Terceiro Setor, porque se poderia “... estar procurando soluções em um campo que não detém as respostas adequadas e nem pode detê-las”. Ora, esse tipo de preocupação decorre da própria escolha de fontes de referência: se o referencial teórico está calcado em obras prescritivas, em publicações do campo dos gurus ou do chamado pop management, realmente o que vai se encontrar não é uma base conceitual sólida, mas um receituário de procedimentos que, obviamente, não são adequados para uma investigação de caráter científico.

Portanto, existem, pelo menos, três desafios para serem enfrentados pelos pesquisadores do campo da administração, no sentido de transcender os limites auto-impostos para suas pesquisas. Primeiro, há que se ter maior rigor na escolha das fontes e das referências, separando-se literatura acadêmica e literatura prescritiva. Segundo devem ser ampliadas as referências a partir dos diversos periódicos nacionais e internacionais, para que se evite a reprodução de um pensamento único. Terceiro, e mais importante, deve-se abandonar idéias pré-concebidas sobre o Terceiro Setor e suas organizações.

Sem enfrentar estes desafios, os pesquisadores da área de Administração que vêm se envolvendo com os estudos sobre Terceiro Setor, podem cair num estranho paradoxo: gerar uma enorme quantidade de trabalhos, sem, contudo, trazer grande relevância para a ampliação do conhecimento e para a transformação da gestão das organizações deste campo importante da vida social. O resultado será o questionamento do valor e do sentido da produção acadêmica em Administração sobre o Terceiro Setor. Quanto vale ou é por quilo?


Professor da EBAPE lança livro sobre Gestão de Pessoas
O Prof. Luis César G. de Araújo, da EBAPE/FGV lançou o livro Gestão de Pessoas: estratégias e integração organizacional, pela Editora Atlas.
O livro aponta a transformação da Administração de Recursos Humanos em Gestão de Pessoas, defendendo que o gestor de pessoas deve ter uma atuação mais estratégica nas organizações.