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Pesquisa Avançada

Informativo 12/Jul - Ago - Set/2006


Avaliação da Qualidade em Pesquisa e Pós-Graduação em Administração
Qualidade de ensino em cursos e Instituições de Ensino Superior é tema de primeira importância na Educação e em outras áreas como o Direito e a Sociologia. Em Administração, infelizmente, pouco ou quase nada se produziu a respeito do tema, ao menos até recentemente, tornando quase nula nossa contribuição intelectual ao debate que se vem travando neste país, desde pelo menos o fim da década de 1980.

Mesmo em relação à avaliação da qualidade de nossos programas de pós-graduação, a respeito do que já se discutiu em alguns de nossos principais fóruns (Encontros da ANPAD, principalmente), não parece haver preocupação generalizada por parte da comunidade. Pela importância da questão no âmbito da política acadêmica e também por entende-la como campo fértil para alguns de nossos estudos, entendo que esse quadro deveria ser alterado. Acredito, por exemplo, que esta problemática possa ser, com vantagem, explorada a partir de duas perspectivas analíticas sobre as quais alguns de nós na Administração estamos nos debruçando ultimamente (alguns, já há mais tempo).

A teoria institucional, de um lado, explora especialmente as condições de responsividade de atores e sistemas sociais ao seu meio e o neofuncionalismo, de outro lado, entende que os mesmos atores e sistemas sempre manterão algum grau de autonomia. É a partir da convergência entre essas duas perspectivas que se pode defender que responsividade e capacidade estratégica cooperam enquanto condições operativas da relação entre organizações individuais, comunidades organizacionais e grupos profissionais e seus ambientes regulativos. Deste modo, o ponto central está no entendimento de que o ambiente regulativo define, limita, restringe e também cria e dá poder a organizações e grupos profissionais e estes, por sua vez, constituem contexto propício à interpretação de leis e regras e, desta forma, à estruturação do ambiente 1.

Com base nisso, podemos perguntar: que aspectos marcam a relação entre nossa comunidade profissional de pesquisa em Administração e o contexto regulativo concernente à qualidade de ensino superior no Brasil, na última década? Sabemos que a regulamentação das Instituições de Ensino Superior passou por grandes mudanças desde 1995, tanto no que se refere a cursos de graduação quanto aos de pós-graduação (em relação a estes últimos, com muito menor interesse por parte de mídia de massa). O modelo que vigora desde 1995 é fortemente credencialista, não sofrendo grandes mudanças mesmo com a revisão feita em abril de 2004, com a aprovação do SINAES.

Em relação à graduação, a credencial que atesta qualidade provém da mensuração de número de docentes titulados, quantidade de livros em bibliotecas, condições físicas de ensino, notas dos alunos em Exame Nacional de Cursos, etc. Já em relação à pós-graduação, a credencial está vinculada a critérios diferentes, mas também quantitativos em sua maioria.

Tanto na graduação quanto na pós-graduação o modelo avaliativo passou por adaptações ao longo de toda a última década. O ritmo e a intensidade das adaptações foram menores, entretanto, no âmbito da avaliação da pós-graduação, possivelmente devido à maior aceitação neste nível do modelo predominante de ciência que é orientador, em maior ou menor grau, dos critérios de legitimidade em todas as áreas. Em decorrência da força que as chamadas ´hard sciences´ têm entre nós, nossos critérios de avaliação tendem a ser norteados por padrões quantitativos e produtivistas. Sem desconsiderar outros aspectos, dentre os quais as observações qualitativas feitas pelas comissões de avaliação quando analisam as fichas de dados de nossos programas, sabemos que o critério fundamental é a pontuação obtida pelo corpo docente, relativa à publicação de artigos científicos, livros e capítulos de livros. Em programas de áreas como Agronomia, Zootecnia e Biologia, dentre outras, a média de publicação se encontra na ordem de um artigo em periódico internacional por mês, por professor credenciado no programa; na Física somente são pontuados artigos publicados em periódicos internacionais; há ainda áreas nas quais professores publicam, às vezes, mais de trinta artigos científicos por ano.

Não é cabível desmerecer essas áreas, representativas das ´hard sciences´. Talvez aquele padrão seja de fato compatível com a lógica de pesquisa daquelas áreas. Contudo o padrão de ´produtividade´ científica evidenciado nos exemplos acima sinaliza para as condições que nos últimos anos, e de forma crescente, vêm sendo prescritas a todos os demais campos do conhecimento e isto se configura, para mim, em um problema.

De certo que não apenas nós da Administração estamos aquiescendo àquele modelo, senão todas as demais áreas, em maior ou menor grau. Também não se pode negar certo avanço em decorrência, pelo menos parcial, daquela lógica orientadora (talvez, como diria Karl Weick, algum padrão de referência sempre é melhor que nenhum!). Além disso e se os princípios teóricos que apresentei no início deste texto têm alguma validade, me parece simplista acreditar que aquele padrão vigora e se fortalece por via apenas coercitiva: a) sabemos que a Administração ainda carece de uma identidade científica (somos sociologia das organizações, engenharia social, curso de técnicas gerenciais, tudo isso ou nenhuma das alternativas?) e, neste sentido, a referência a um modelo de ciência predominante, bem como a aceitação de critérios e formas de avaliação próprios àquele modelo, não são fortuitos; b) muitos de nós fomos formados, em termos de ciência, em torno de ´cânon´ positivista, o que faz com que alguns de nós entenda como possível e desejável construir uma ´Administração Hard Science´; c) pode ser estrategicamente interessante, por vezes pelo menos, aquiescer àquele modelo ou ao que entendemos ser aquele modelo. É essa aquiescência que, ao menos por ora, aumenta nossas chances de boa avaliação dos nossos programas, bem como as chances de obtenção de bolsas-produtividade, de pós-doutoramento, e de ascensão em nossas carreiras.

Mas se tal padrão avaliativo nos serviu até agora, ele poderá se tornar, cada vez mais, um limitante do desenvolvimento da área de Administração e de outras áreas das Ciências Sociais, além das Ciências Humanas. No caso da Administração, é uma questão de amadurecimento de área de pesquisa. Sobre isso acredito que uma nova etapa precisa ser iniciada, pela percepção de que a atual, por mais bem sucedida que tenha sido, já caminha para o esgotamento (o crescente debate entre nós a respeito de formas para tornar nossa produção científica relevante nacional e internacionalmente sugere, pelo menos, que não estou sozinho nesta opinião). A saída parece estar na diferenciação dos critérios avaliativos, por diversas razões:

a) as Ciências Físicas, as Biológicas, as Agrárias, possuem clara definição dos pressupostos ontológicos e epistemológicos considerados aceitáveis em suas pesquisas. Tal homogeneidade torna muito mais evidentes as escolhas teóricas e metodológicas possíveis nas áreas vinculadas àqueles campos. Entre nós isso não é assim, o que exige maior tempo para formação de nossos alunos de mestrado e doutorado, de forma a que possam compreender, ao menos de modo panorâmico, o universo de possibilidades que são legítimas em nossa área. Isso certamente pode ser amenizado com programas de iniciação científica na graduação, mas mesmo estes não são tão freqüentes na Administração e não contam com fomento e estímulo na mesma proporção que em outras áreas;

b) nas ´hard sciences´ o modelo experimental resulta em que artigos científicos, de modo geral, se constituam em relatos de experimentos. Já muitas das questões por nós estudadas demandam ainda tratamento exploratório ou a elaboração de ensaios teóricos que evidentemente não permitem descrição tão direta quanto no caso de experimentos. Isso exige prudência no que tange à possibilidade de nossa produção científica poder se equiparar quantitativamente, mesmo que de longe, à produção daquelas áreas, sem perda da qualidade;

c) além disso, há que se considerar o caráter universal dos problemas com que lidam aquelas áreas, em comparação com o caráter cultural, político e socialmente contextualizado da maioria dos problemas de estudo em Administração e que exigem de nós, em decorrência, formação com vocação mais ampla ou generalista do que naquelas áreas.

É evidente para mim que a evolução da área de Administração no Brasil exigirá, doravante, a elaboração e implementação de critérios mais próprios de legitimidade e de avaliação, não apenas na Administração como em outras áreas das Ciências Sociais e Humanas. Não entendo, contudo, que isso possa ser feito desconsiderando-se o fato de sermos comunidade acadêmica, com nossas condições operativas específicas e que dão substância à nossa capacidade atual e futura de resposta às condições regulativas e normativas que cercam a pesquisa e a pós-graduação, no Brasil e no mundo. Não sendo apenas o produto de interesses e consciências específicas e localizadas, tais condições e assim o próprio contexto somente poderão ser legítima e adequadamente alterados – para o bem da comunidade acadêmica, da Universidade enquanto instituição cultural e da sociedade mais ampla – seguindo preceitos de pluralidade e respeito acadêmico.

1 EDELMAN, L; SUCHMAN, M. The legal environments of organizations. Annual Review of Sociology, v. 23, p. 479-515, 1997.

João Marcelo Crubellate

PPA - Universidade Estadual de Maringá / Universidade Estadual de Londrina



Eventos em Curitiba

I Congresso Ibero-Americano de Gestão do Conhecimento e Inteligência Competitiva
5º KM Brasil 2006
7º Workshop Brasileiro de Inteligência Competitiva e Gestão do Conhecimento
III ENA/IIPrêmio de Inovação em Inteligência Competitiva
Data: de 29 a 31 de agosto de 2006
Local:
Curitiba - PR
Informações: silvia@latec.org.br">silvia@latec.org.br
silvia@latec.org.br">silvia@latec.org.br">



Workshop- ?Upgrading clusters: experiences of Asia and Latin America
A EBAPE/FGV/RJ promove o referido evento nos dias 24 e 25 de agosto de 2006. O objetivo é discutir experiências de clusters em países da Ásia e da América Latina, para compreender que fatores fazem com que as firmas se organizem para gerir questões diversas e como elas são capazes de superar obstáculos para a ação coletiva e ao mesmo tempo serem competitivas. Mais informações podem ser obtidas em www.ebape.fgv.br/workshop.


Mestrado na UNIFOR
UNIFOR abre inscrições para a XIII turma do Curso de Mestrado em Administração
Período de Inscrições: 02 a 20 de outubro de 2006, pela internet no site http://www.unifor.br
Vagas: 25 vagas
Linhas de Pesquisa: Estratégia e Controle Gerencial
Requisitos: Teste Anpad, Prova Específica, Análise Curriculum e Entrevista com apresentação de Proposta de dissertação.
Seleção: 30 de outubro a 01 de novembro de 2006
Início do Curso: 05 de fevereiro de 2007
Email: cma@unifor.br">cma@unifor.br
Tel:. (85) 3477.3229


Pesquisadores da PUC/RJ e UFRJ são premiados na Turquia
Os pesquisadores Jorge Carneiro (doutorando do Coppead/UFRJ e professor da PUC-Rio), Angela da Rocha (Coppead/UFRJ) e Jorge Ferreira (PUC-Rio) conquistaram o best paper award no congresso do CIMaR 2006 (Consortium for International Marketing Research), realizado em Maio, em Istambul, Turquia.


Curso de Especialização em Controladoria Estratégica
A Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado lança o Curso de Especialização em Controladoria Estratégica, sob a coordenação dos professores Álvaro Toshio Takei e Yumara Vasconcelos.
Mais informações: www.fecapbahia.edu.br; fecap.bahia@fecap.br">fecap.bahia@fecap.br.



Mestrado Profissional em Administração da UNINOVE é transformado em Mestrado Acadêmico
Segundo o coordenador, Prof. Milton Campanário, os motivos que levaram o Colegiado a solicitar a CAPES tal mudança foram:grande demanda pela modalidade acadêmica por parte da comunidade; vocação do corpo docente em atividades de pesquisa de cunho mais acadêmico; área de concentração e linhas de pesquisa com um forte direcionamento acadêmico; e a forma de avaliação do Comitê de Área que não distingue as particularidades das modalidades profissional e acadêmica, o que tende a influenciar o direcionamento do mestrado. O professor ressalta que a construção de um mestrado de qualidade continua sendo a meta fundamental do Colegiado e da alta direção da UNINOVE.

COPPEAD abre inscrições para o Curso de Mestrado em Administração
Período de inscrições: 31/7/2006 a 6/10/2006, pela internet no site http://www.coppead.ufrj.br
Vagas disponíveis por área de orientação de dissertação:
Finanças e Controle Gerencial -14 vagas
Marketing e Negócios Internacionais- 08 vagas
Operações, Tecnologia e Logística- 12 vagas
Organizações, Estratégia e Sistemas de Informação- 15 vagas.


Professora da EBAPE integra Conselho de Centro de Pesquisa Internacional
A Profa. Sonia Fleury foi convidada para integrar o Conselho do WHO Center for Health Development (ACWKC) , sediado em Kobe, no Japão, pelo período de 2006-2008.

Professor da EBAPE edita revista científica internacional
A Inderscience Publishers, sediada na Suíça, acaba de publicar a edição especial do International Journal of Technology Management intitulada: Firm-level learning and technological capability building in industrialising economies” (vol. 36, nos 1-3). Esta edição especial foi organizada pelo Prof. Paulo Figueiredo e contém artigos inéditos que geram novas evidências empíricas, análises e implicações para teoria e para estratégias de inovação, tanto em nível de gestão empresarial como de política governamental.

Mestrado em Administração na UNIGRANRIO
A UNIGRANRIO – Universidade do Grande Rio, através da EGN – Escola de Gestão e Negócios, em seu Campus LAPA, no Centro da cidade do Rio de Janeiro, obteve a recomendação da CAPES para início de seu MESTRADO EM ADMINISTRAÇÃO.
A área de Concentração é a de Gestão Organizacional e as linhas de pesquisa: "Arranjos Organizacionais" e "Estratégias e Governança".


Instituto COPPEAD de Administração
A Universidade Federal do Rio de Janeiro através do Instituto Coppead abre inscrições para Concurso de Admissão ao Mestrado em Administração, para ingresso em 2007, de candidatos portadores de títulos de nível superior emitidos por escolas oficiais ou reconhecidas referentes a cursos de graduação de no mínimo 4 anos de duração. Inscrições de 31 de julho de 2006 a 06 de outubro de 2006, mais informações no site http://www.coppead.ufrj.br

Novo site
O site da FUCAPE está de cara nova. Com um novo layout e uma apresentação mais arrojada, o novo site tem as informações mais organizadas. Dentre as novidades, está o link para produções científicas, onde o aluno poderá fazer download de artigos científicos e dissertações; a Newsletter, para se cadastrar e receber as novidades da FUCAPE, entre outras. Estas e outras novidades você já pode conferir no site www.fucape.br.

Entrega do Prêmio Prof. Eliseu Martins
No próximo dia 15/8 será entregue divulgado o resultado do 4º Prêmio Professor Eliseu Martins, quando serão conhecidos os três ganhadores das bolsas de estudo integrais para o Mestrado Profissional em Ciências Contábeis da FUCAPE. O prêmio visa incentivar a produção de pesquisas, assim como o conhecimento e a reflexão sobre as ciências empresariais. Conta com a promoção da Companhia Siderúrgica Tubarão (CST), o patrocínio da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD).


Cada empresa tem o empregado que merece
Minha trajetória acadêmica e profissional sinaliza quatro campos de pesquisa diferentes, mas complementares nas relações de poder e no espaço organizacional com os quais venho trabalhando : a) a gestão de pessoas; b) processos institucionalizados e não institucionalizados de regulação de conflitos; c) a função gerencial e o gerente como categoria profissional e, d) as questões de gênero. Gostaria então, nesse momento, de trazer para reflexão o tema da estratégia do empregado nas relações de trabalho.

E m nível de racionalidade organizacional, o sistema de regulação funciona contando com os meios institucionalizados ou não, salientando-se políticas empresariais e gerenciais avançadas e políticas modernas de gestão de pessoas, buscando controle e previsibilidade do comportamento do empregado nas relações de trabalho. Os processos de regulação são provisórios. Eles dependem das relações e características dos grupos envolvidos. São, de certa forma, compromissos entre as racionalidades de dois agentes sociais, não se modificando somente no momento em que as racionalidades mudam, mas, sobretudo, no momento em que as relações de poder se modificam.

O sistema de regulação não é produto único de estratégias, políticas e ações organizacionais. Existe ainda o quadro jurídico, o sistema de relações profissionais, a formação e estrutura cultural e as práticas sociais a serem considerados além do comportamento dos empregados em nível de racionalidades individuais e de grupos, que busca, os melhores resultados numa re1ação de poder existente na organização. O sistema de regulação não é, portanto, um conjunto homogêneo linear, uníssono. Mas ele é lógico. Encontramos nele uma dispersão de interesses, de preferências, de valores, que se encontram em pontos comuns, permitindo a existência de regras; enfim, de formas de regulação conjuntas, pontuais, às vezes ambivalentes. As formas de regulação não são definitivas, não significando, no entanto, mudanças a cada instante, ou que ações muito particulares possam alterar o sistema que, por definição, só se modifica através de rupturas. Mas a regulação se caracteriza por ser temporária, e ter um certo dinamismo, através de formas concretas de legitimidade/ racionalidade.

Estratégias do empregado nas relações de trabalho significam mecanismos reguladores adotados pelos indivíduos por meio de escolha de comportamentos sempre ativos, que possuem lógica e racionalidade próprias, e caráter temporal. O empregado constrói suas estratégias segundo seu próprio contexto, sua subjetividade e as práticas organizacionais de controle e regulação de conflitos.

Os processos de regulação de conflitos nas relações de trabalho, utilizados pelos empregados, podem ter objetivos, não excludentes, de tratar o conflito, resistir, pressionar, expressar, conforma-se, adaptar-se, sobreviver. São ações escolhidas dentro do campo racional, como resposta a uma situação vivenciada.

Além disso, não se pode deixar de considerar que os processos de socialização/conformismo pelos quais os indivíduos passam, são significativos para justificar comportamentos de adaptação às situações de trabalho e à racionalidade organizacional. A estratégia do empregado nas relações de trabalho não se refere apenas a um movimento estruturado, organizado e coletivo de contestação objetivando modificar a situação de trabalho, e práticas de controle e de dominação (evidentemente em muitos casos isso ocorre). Trata-se, muitas vezes, de ação não prevista, do aproveitamento de um saber especifico e caracterizado. É preciso buscar e traduzir as representações e aspectos mais estruturantes do comportamento do indivíduo na sua situação de trabalho.

Estratégia dos empregados indicam práticas múltiplas e diferenciadas conforme a categoria profissional e a relação subjetiva do indivíduo com seu contexto de trabalho e social, podendo ser de adesão, de identificação, de envolvimento ou de comprometimento, mas trata-se também de adaptação e sobrevivência do empregado que, em determinadas situações, utiliza-se dos próprios instrumentos organizacionais de controle para criação de seu espaço no cotidiano do trabalho, além de contar com o desconhecimento dos gerentes sobre as estratégias dos seus subordinados. Verifica-se a lógica do nível de cooperação ou envolvimento do empregado segundo a política e a prática organizacional. Constata-se ainda a importância e a valorização que o gerente dá a si próprio na canalização das insatisfações dos empregado, impedindo ou dificultando a sua apreensão da realidade. Também é importante considerar que o tempo e recursos investidos na elaboração de formas de controle dos indivíduos dentro da organização não trazem resultados correspondentes esperados de eficiência e produtividade. Quanto maior o número de artifícios e instrumentos de controle clássico, maiores as possibilidades de ação a serem exploradas pelos empregados. O empregado elabora a sua estratégia nas instâncias privilegiadas pelo controle da empresa.

Por outro lado, parece essencial a existência de lacunas no exercício do controle e da gestão da força de trabalho para que o empregado construa espaços que assegurem sua sobrevivência no cotidiano e um fluxo de trabalho indispensável à organização. É assim que se observa, também, certa tolerância da empresa em face de certas transgressões de regras existentes. Na mesma lógica, nota-se, que na medida em que a organização não consegue controlar algumas formas de ação/reação percebidas, ela absorve essa ação/ reação, transformando-a em um valor.

Naturalmente torna-se mais fácil gerenciar uma força de trabalho ajustada, integrada e passiva.

No entanto é interessante lembrar aqui uma contradição constantemente marcada: o mais integrado, o mais adaptado e o mais conformista raramente é o empregado mais eficiente em uma organização que pretende inovação e dinamismo.

Em relação à questão da estratégia do empregado nas relações de trabalho, destacam-se as seguintes observações:
- numa situação de compressão e defasagem salarial é elucidativo que sejam ressaltadas as insatisfações. Mas apenas essa situação não explica o conjunto de estratégias adotadas pelos empregados;
- as estratégias do empregado não podem sofrer análises e interpretações totalizantes, "pesadas" e genéricas;
- a elaboração das estratégias, a construção de espaços e a constituição da subjetividade são tanto condições como conseqüências da reprodução do sistema capitalista.

As evidências indicam que há uma oportunidade, em aberto, de repensar a formação de administradores e gerentes, profissionalizando-os também no contexto das relações de trabalho, na teoria e na prática da regulação de conflitos, elaborada pela empresa e pelos empregados, destacando-se as questões relativas às estratégias do empregado. Este processo poderá fornecer-lhes uma melhor apreensão da realidade e melhoria de sua tecnologia gerencial. As evidências indicam ainda que aprofundar este tema só é possível dentro de uma abordagem pelo menos interdisciplinar. Senão teremos, também, a produção de conhecimento que merecemos.


¹ Doutora pela Université Paris – IX Dauphine – França
Coordenadora do Mestrado em Administração/ Diretora Acadêmica da Faculdade Novos Horizontes
Professora Titular Aposentada da UFMG Pesquisadora do CNPq



EBAPE lança dois novos livros
O corpo docente e o corpo discente da EBAPE/FGV/RJ lança mais dois novos livros.
• Gestão de carreiras : dilemas e perspectivas
Autores: Moisés Balassiano e Isabel de Sá Affonso da Costa (organizadores)
Editora Atlas
O livro apresenta o estado-da-arte que permeia as relações do trabalho no Brasil. Expõe os fatos que vêm moldando essas relações e as formas encontradas pelos atores para conviver com a nova realidade empresarial.
• Pesquisa quantitativa em administração
Deborah Moraes Zouain e Delane Botelho (organizadores)
Editora Atlas
O livro apresenta diferentes métodos de pesquisa quantitativa (coleta e análise), com sua descrição e aplicação em distintas áreas da administração. Preenche importante lacuna no ensino e pesquisa de administração, já que são raros os textos que explicam o método quantitativo com exemplos práticos e modernos.


Lançamento de livros no Congresso USP
No dia 27 de julho dois professores da FUCAPE lançaram livros no Congresso USP. O diretor de pesquisas, Alexsandro Broedel, escreveu um capítulo sobre derivativos no livro “Curso de Mercado Financeiro”, organizado pelo presidente do Conselho Curador da Fucape, Iran Siqueira Lima. Na publicação, Alexsandro apresenta a sistemática operacional e técnica dos instrumentos financeiros derivativos.

Contabilidade Internacional ? Aplicação das IRFS 2005
Já o professor Fábio Moraes da Costa lançou o livro “Contabilidade Internacional – Aplicação das IRFS 2005”, em co-autoria com Luiz Nelson Carvalho, professor do Departamento de Contabilidade e Atuária da FEA/USP e Sirlei Lemes, professora de Contabilidade e Controladoria da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). A publicação abrange um grande número de tópicos relevantes de Contabilidade Internacional e é um dos mais atualizados em termos das normas vigentes em 2005, ano da introdução obrigatória das Normas Internacionais de Relatórios Financeiros (IRFS) na União Européia.