Pesquisar
Pesquisa Avançada

Informativo 14/Jan - Fev - Mar/2007


Formar professores na Pós-Graduação: propostas para o triênio 2007/2010

Tânia Fischer

A formação de professores em Administração caracteriza-se cada vez mais, como a “necessidade bélica” de que falava Anísio Teixeira nos anos 60, no ciclo reformista similar ao que vivemos hoje, com a nova lei de Diretrizes e Bases e o Plano Nacional de Pós-Graduação em sua quarta versão.

Há razões muito fortes para  que os programas filiados à ANPAD entendam a formação docente como prioridade e definam estratégias para tal. A Administração é área de grandes números. O ensino é oferecido, por aproximadamente 2.000 instituições, 3.000 cursos e 200.000 professores na graduação. Destes menos de 1000 ensinam e pesquisam na pós-graduação strictu-sensu.

O corpo docente é marcado pela diversidade. São diversas gerações ensinando, com formações em múltiplas disciplinas. Já são  60 anos de ensino na  graduação e 40 anos na pós graduação.

As exigências de qualificação atingem a todos. O professor tem agendas múltiplas e papéis que disputam, entre si, tempo e espaço. Ensinar, orientar, pesquisar,  publicar, organizar atividades de extensão, prover recursos, realizar gestão acadêmica, ser membro de diversas comissões e representante institucional, estabelecer conexões nacionais e internacionais, em instituições tão diferentes em tradições e recursos, como são as brasileiras, são fatores de dispersão, que contribuem entre outros, para que a formação docente não seja prioridade como processo de educação continuada. Mas esta formação deve ser iniciada na pós-graduação, como ocorre na formação  para a pesquisa, que se efetiva por serem  dissertações e teses  produtos obrigatórios.

Como os nossos alunos de mestrado e doutorado estão sendo preparados para a docência em cursos de graduação que têm hoje os maiores índices de evasão e os menores índices de rendimentos? Como se preparam professores para o ensino de pós-graduação?

A resposta a estas perguntas é hoje  mais animadora do que há cinco anos atrás, quando a ANPAD abriu espaço para este tema. Há trinta instituições dispostas a desenvolver um programa de apoio a qualificação docente internalizado nos currículos dos cursos de pós-graduação, apoiado em pesquisa e articulado pela rede ANPAD.

O Programa de Capacitação Docente em Administração  - PCDA que integra a diretoria de Avaliação de ANPAD, responde às necessidade do contexto e também as diretrizes expressos no PNPG.

O PCDA é uma construção coletiva, realizado em diversas instituições e sujeito à avaliação  e regulação constantes. Cada instituição deve ter um projeto autônomo, com identidade própria.
O PCDA prevê: a) a construção e teste de modelos de ensino para professores em formação e em exercício; b) a institucionalização de linhas de pesquisa sobre ensino e aprendizagem nos programas de pós-graduação; c) a produção de textos reflexivos sobre ensino e aprendizagem e contextos institucionais onde se planeja e desenvolve o ensino; d) a produção de materiais e textos didáticos que recuperem  e valorizem a produção nacional; e) o estímulo a experimentos e inovações em ensino presencial e à distancia; f) Mestrados em Ensino de Administração;g) Orientação de mestrados e doutorados à docência por meio de disciplinas e atividades de formação docente que seriam  incluídas nos currículos dos programas de pós-graduação; h) Curso de Especialização, com ênfase em áreas de conteúdo ou didática de administração, presenciais ou à distancia; i) Oficinas de capacitação Docente, com simulação de ensino e microexperiências orientadas por modelo de capacitação docente; j) Estágios em cursos da graduação.

O mestrado em ensino deve ser uma experiência controlada por avaliação, e pode ser oferecido como projeto inter ou multi-institucional, devendo ser presencial, mas podendo incluir recursos de ensino à distância. A inclusão de disciplinas e atividades nos currículos dos cursos de pós-graduação pode ser um fator de melhoria do ensino na pós-graduação e graduação, pelo estímulo à reflexão sobre condições de ensino e de novas práticas. Outra possibilidade é o estágio de alunos da pós-graduação em graduação, mediante preparação prévia e sob supervisão,  incrementando a integração entre os dois níveis de ensino. Ainda se pode contemplar o estágio de professores em instituições, desde que não sejam àquelas em que lecionam, num processo de cooperação e intercâmbio docente. 

O PCDA está apoiado em uma rede de estudos sobre ensino e aprendizagem em administração, tendo como produtos possíveis:
1. Estudos Configuracionais da Área e Estudos Críticos sobre Ensino de Administração: o papel da teoria e das práticas;
2. Pesquisa sobre inovações e desenvolvimento curricular;
3. Perfis de professores e desenvolvimento de competência docente;
4. Seleção de conteúdos e organização de ensino: projetos pedagógicos em pós-graduação e graduação;
5. Tecnologias de ensino presenciais e à distância;
6. Construção de materiais, tecnologias e recursos de ensino, tais como casos, em  formato tradicional ou hipertextual; etc.
7. Uso de recursos estéticos em ensino: (cinema, música, literatura, fotografia, etc.);
8. Estratégias de ensino e aprendizagem;
9. Perfis e diversidades do alunado.

Prevê-se a realização de eventos temáticos, oficinas e outros formatos de discussão que possam ser nós de articulação entre as instituições de pós-graduação e as escolas de graduação. Outro caminho é a atuação por meio de por meio de publicações. Propõe-se a criação de uma Revista de Ensino de Administração, de nível internacional. Pode-se ainda estimular a  publicação de números espaciais das revistas da área sobre o tema, bem como o apoio à organização de manuais de ensino de boa qualidade, coletânea de casos e recursos de ensino. Estas ações exerceriam um impacto efetivo  na capacitação de docentes em administração.
Deve-se estar atento ao fato de que o apoio à melhor qualidade de ensino na graduação e na pós-graduação foi valorizada pela CAPES, na última versão de  sua ficha de avaliação de programas.

Neste ano de 2007, há o propósito de expandir a rede de programas filiados ao PCDA, adotando-se estratégias de difusão. Uma atenção especial será dada aos experimentos de Mestrado em Ensino de Administração e aos estágios e monitorias na graduação extensiva a todos os alunos da pós-graduação. Nas disciplinas e atividades e práticas deverão ser testados  modelos e experiências compartilhados. A articulação em rede possibilita o intercâmbio, as parcerias e outras propostas que atendam a necessidades regionais e locais, massificação qualificada e outros temas, além de regulação cruzada.

A partir destas premissas, o PCDA deve ser:
a) um laboratório multiinstitucional de práticas de ensino  e sobre o ensinar e aprender;
b) um lugar de inovação e de recuperação da tradição acadêmica;
c) um campo de experimentação de recursos de ensino (humanos, tecnológicos, estéticos...);
d) um espaço de intercâmbio de resultados de pesquisa sobre o ensino.

Finalmente, pretende ser um espaço de reflexão sobre as práticas e o contexto nacional e internacional do ensino de Administração como construção histórico-institucional; bem como sobre a natureza complexa e multidisciplinar da área. É, principalmente, o espaço do professor.




Aguarde
Aguarde: esta página será disponibilizada em breve


Aguarde
Aguarde: esta página será disponibilizada em breve


Aguarde
Aguarde: esta página será disponibilizada em breve