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Pesquisa Avançada

Informativo 2/Jan - Fev - Mar/2004


Informativo ANPAD
Neste segundo número do Informativo ANPAD reafirmamos que é com base na quantidade e na qualidade das informações enviadas pelos associados que se constrói um bom informativo. Assim, conclamamos a todos os membros associados para uma participação cada vez mais ampla, no sentido de sistematizar o fluxo de envio de informações.

Na linha do primeiro informativo, há mais novidades a anunciar. Já se encontram disponíveis no nosso site os anais do EnANPAD 2002 para consultas e download; portanto, já cobrimos o período de 1997 a 2002. Ainda mais: podem ser acessados os anais do Encontro de Estudos Organizacionais (EnEO) referentes às suas duas primeiras edições: a de 2000 e a de 2002. A chamada de trabalhos para o EnEO 2004 também está disponível.

Outra novidade relevante é que a partir de 25 de novembro será possível aos professores e pesquisadores, bem como aos demais profissionais da área e aos os estudantes de mestrado e de doutorado filiarem-se a uma ou mais das nove divisões científicas da ANPAD. As divisões científicas são unidades integradas por especialistas do campo, devendo funcionar como lugar privilegiado para a interação, o debate e a troca de idéias. Cada divisão deverá promover o desenvolvimento de seu campo de conhecimento/aplicação, estimulando a elevação contínua da qualidade da produção científica e a sua utilização nas atividades de ensino e pesquisa.

A expectativa é de bom número de filiados por divisão científica. Neste início do processo de filiação de associados individuais a Diretoria da ANPAD designará um comitê de estruturação para cada divisão, que se encarregará de organizar a divisão e de estabelecer os mecanismos de comunicação entre os seus membros. Todos aqueles que acessarem o nosso site poderão ter conhecimento dos nomes dos membros de cada divisão, a partir de janeiro de 2004.

Não custa lembrar que o boom de programas, de professores e estudantes de pós-graduação stricto sensu e de produção científica na área de administração e contabilidade vem se dando fundamentalmente nos últimos poucos anos, apesar da ANPAD existir já há 27 anos. Só para se ter breve panorama: em 1995 o número de programas filiados à associação era cerca de 22 e a submissão de trabalhos para o EnANPAD situava-se em torno de 400. Neste ano de 2003 já alcança quase 60 o total de programas filiados e foram submetidos mais de 2300 trabalhos para o nosso evento principal. Em termos de programas o crescimento é de aproximadamente 270% e no que concerne a trabalhos submetidos verifica-se aumento de cerca de 570%, o que é seguramente espantoso. Curiosamente, portanto, a aceitação de 630 trabalhos para o EnANPAD em 2003 supera em mais de 50% o total de trabalhos submetidos em 1995. Daí a oportunidade e a relevância da instituição de divisões científicas para filiação de associados individuais.

Sugerimos a quem visite o nosso site que procure ler o que se encontra na seção “Opinião”. Cada texto editado permanece por cerca de sessenta dias. Coube ao Presidente da ANPAD o privilégio de escrever o primeiro texto da seção, intitulado “A quantas anda a produção acadêmica brasileira nos EnANPADs”. O próximo texto, com o título “Produção científica ontem e hoje”, escrito pelo Professor Carlos Osmar Bertero da FGV/EAESP, será disponibilizado a partir de 20 de novembro de 2003.

Para finalizar, gostaríamos de solicitar a atenção do leitor para o que escreve o Professor Rogério Quintella, nosso Diretor Científico, sobre os novos formatos de apresentação no EnANPAD, a partir deste ano de 2003. O trabalho competente e dedicado que vem realizando o Professor Rogério não deve ser apenas digno de menção, mas precisa ser amplamente reconhecido pela nossa comunidade acadêmica.

 

Clóvis L. Machado-da-Silva
 



III Encontro de Gestão e Tecnologia
O III Encontro de Gestão e Tecnologia foi realizado pela Fundação Pedro Leopoldo, de 20 a 22 de novembro. O tema abordado no evento foi Gestão Competitiva e Responsabilidade Social.

I Simpósio em Gestão e Estratégia em Negócios
A Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro promoveu o I Simpósio em Gestão e Estratégia em Negócios. O evento foi realizado de 11 a 13 de setembro, e teve como objetivo congregar estudantes, pesquisadores e docentes que desenvolvam trabalhos nas áreas de Gestão de Negócios e Administração. Foram abordados temas como marketing, finanças, gestão de pessoas, sistema de informação, produção e gestão de operações, administração estratégica e empreendedorismo.
O Curso de Mestrado Profissional em Gestão e Estratégia em Negócios da UFRuralRJ foi recomendado pela CAPES e pelo CTC em 03 de novembro de 2003.


Empresariais: perspectivas em Nova Friburgo-RJ
Redes Empresariais: perspectivas em Nova Friburgo - RJ será o tema do seminário promovido pelo mestrado em Administração e Desenvolvimento Empresarial da Universidade Estácio de Sá, no dia 27 de novembro, das 9h às 17h30min. O objetivo é discutir as perspectivas de arranjos locais em redes empresariais, segundo óticas acadêmicas. Informações pelo telefone (21) 2206.9743, ou através do e-mail mestradoadministracao@estacio.br">mestradoadministracao@estacio.br


IV Workshop em Internacionalização de Empresas
Acadêmicos, executivos, profissionais e estudantes participaram o IV Workshop de Internacionalização de Empresas, realizado nos dias 6 e 7 de novembro. O evento é promovido pelo Núcleo de Pesquisas em Internacionalização de Empresas do Coppead/UFRJ. Este workshop vem construindo uma tradição, tornando-se um espaço privilegiado para o debate consistente sobre temas como comércio exterior, internacionalização de empresas e gerenciamento intercultural.



COPPEAD/UFRJ recebe financiamento do BID
O Coppead/UFRJ terá um projeto de pesquisa financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento. O projeto " Entrenchment, incentives, corporate valuation and dividend payout policy in Brazil and in Chile", da área de governança corporativa, está entre apenas cinco da América Latina, sendo o único brasileiro selecionado.

Mestrado Profissional em Administração da FEAD
O curso de Mestrado Profissional em Administração da Faculdade de Estudos Administrativos de Minas Gerais (Fead) é o mais novo membro efetivo da Anpad. A recomendação foi feita na última reunião do Comitê Técnico-Científico da Capes.



Inscrições para Mestrado na Universidade Estácio de Sá
Estão abertas as inscrições para o curso de Mestrado em Administração e Desenvolvimento Empresarial (Made), na Universidade Estácio de Sá (RJ). O prazo encerra no dia 27 de novembro, e o edital do exame está disponível no novo site do
Made: www.estacio.br/mestrado


Seminário de Governança Corporativa do COPPEAD/UFRJ e Amcham
Numa iniciativa entre o Coppead/UFRJ e a Câmara de Comércio Americana do Rio de Janeiro (Amcham), foi realizado um seminário sobre governança corporativa, de 5 a 12 de novembro. O evento ocorreu no American Business Center, no Rio de Janeiro, e teve como objetivo atualizar executivos de primeiro escalão de empresas de médio e grande porte sobre modernas práticas internacionais de governança corporativa, através de casos do acervo da Harvard Business School.

Inauguração de cátedra em São Paulo
A Universidade Metodista de São Paulo (Umesp) e o Programa de Pós-Graduação em Administração da cidade de São Bernardo de Campos (SP) inauguram a Cátedra Prefeito Celso Augusto Daniel de Gestão de Cidades. A solenidade será no dia 14 de novembro, na Umesp. A nova cátedra deverá funcionar como núcleo de trabalho docente, discente e comunitário, sendo que um de seus principais objetivos é o desenvolvimento de pesquisas integradas sobre os grupamentos municipais e regionais do Brasil, trabalhando eventualmente por metodologia comparativa com cidades do Mercosul e outras regiões do mundo. Maiores informaçõe: tel: (11) 4366-5824; norma.carvalho@metodista.br

MBA em Economia e Gestão das Organizações de Saúde na PUCSP
Com o objetivo de capacitar profissionais para compreender e gerir com eficácia as organizações de saúde no Brasil, será lançado em 2004 o curso de MBA em Economia e Gestão das Organizações de Saúde pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUCSP). O curso está organizado em seis módulos, com duas disciplinas cada um, e é voltado para profissionais de nível superior que trabalham ou já trabalharam em organizações de saúde privadas, públicas, filantrópicas não-governamentais e sociais de interesse público. As aulas iniciam em 3 de janeiro de 2004. Mais informações pelo site http://cogeae.pucsp.br

Inscrições para Mestrados em 2004 na Unisinos
As inscrições para os Mestrados em Administração e em Ciências Contábeis da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) estarão abertas de 2 de janeiro a 14 de fevereiro de 2004. As aulas começam no dia 18 de março. Outras informações podem ser obtidas no site www.economicas.unisinos.br/pos/mestrado

Formação do executivo dos novos tempos
Estão abertas as inscrições para a seleção do MBIS (Master Business Information Systems) – Executivo em Ciência da Computação, da área de Tecnologia da Informação da PUCSP. Este programa auxilia o profissional a conciliar conceitos e técnicas da informática a métodos de gestão. Mais informações no site www.mbis.pucsp.br

EBAPE no Grupo de Trabalho de Negociações Comerciais União Européia - Mercosul
O Prof. Yann Duzert participou do Grupo de Trabalho de Negociações Comerciais União Européia-Mercosul, organizado no Institut d Études Politiques de Paris (Sciences Po) no dia 23 de setembro. O encontro reuniu 130 convidados, entre eles: o Ministrop da Economia da Argentina, o Ministro do Comércio Exterior Francês, embaixadores e CEOs da União Européia e do Mercosul, o Presidente da Firjan e representantes da sociedade civil.

EBAPE no Fórum de Gestão Cooperativa de Empresas Estatais
O Prof. Enrique Saravia está representando a EBAPE no Fórum de Gestão Cooperativa de Empresas Estatais, convocado pelo Ministério de Planejamento, Orçamento e Gestão e integrado pelo Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Grupo Eletrobrás, Empresa de Correios e Telégrafos, Infraero e Petrobrás.
O objetivo do Fórum é promover uma maior integração entre as políticas do governo e a gestão das empresas estatais, bem como otimizar resultados, coordenando as ações das empresas.


Seminário Desafios do Protocolo de Quioto: Oportunidades e Obstáculos de suas implementação no Brasil
A Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas (Ebape), o Centro Internacional de Desenvolvimento Sustentável (CIDS-Ebape) e a Coordenação do MBA em Gestão Ambiental promoveram o seminário Desafios do Protocolo de Quioto: oportunidades e obstáculos de suas implementação no Brasil. O evento foi realizado no dia 4 de outubro, na Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro. Durante o encontro, os participantes discutiram a posição do Brasil como ator importante na implementação do Protocolo de Quioto, especialmente em relação aos mecanismos de desenvolvimento limpo (MDL). As apresentações do seminário estão disponíveis no site www.ebape.fgv.br/cids

Expo Management 2003
Seis professores da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas (Ebape), da Fundação Getúlio Vargas, palestraram durante a Expo Management 2003. O objetivo do evento é apresentar aos executivos as melhores práticas de gestão de negócios. A Expo Management foi realizada de 3 a 5 de novembro, no Transamérica Expo Center, em São Paulo (SP).

Processo Seletivo 2004 da Uninove
O Mestrado Profissional em Administração do Centro Universitário Nove de Julho (Uninove-SP) divulgou a lista dos aprovados que participaram do processo seletivo para 2004. Os 266 candidatos foram avaliados através do Teste Anpad e entrevista para disputar as 20 vagas oferecidas. Outras informações e os resultados estão no site www.uninove.br.

Seminário da ALTEC 2003, México
O X Seminário da Associação Latinoamericana de Gestão Tecnológica (Altec) foi realizado de 22 a 24 de outubro, na Cidade do México. O professor José Matias Pereira, coordenador de Pós-Graduação em Administração da Universidade de Brasília e coordenador de Políticas Públicas da Enanpad, participou do evento e apresentou o trabalho "Lei de inovação tecnológica como instrumento de apoio à construção de um modelo tecnológico autônomo no Brasil". Para o professor José Matias, o evento da Altec, no México, confirma a importância de encontros dessa dimensão para o estreitamento de relações entre os pesquisadores que atuam nessa área na América Latina.
A Altec foi criada em 1984 com o objetivo de reunir pesquisadores e instituições para a reflexão e exercícios de Gestão Tecnológica, realizando atividades de cooperação nessa área. A principal missão desta instituição privada interncacional é promover o desenvolvimento sócio-econômico da América Latina e Ibero América através do aperfeiçoamento contínuo da Gestão Tecnológica.


Palestra no CEPPAD/UFPR
O professor Geert Hofstede, do Centro de Pesquisas Econômicas da Universidade de Tilburg, Holanda, estará visitando o Centro de Pesquisa e Pós-Graduação em Administração (Ceppad), da Universidade Federal do Paraná (UFPR), de 11 a 13 de novembro. Entre outras atividades, o professor Hofstede irá ministrar a palestra "Managing with Culture in Brazil".

Seminário de Pesquisa no MADE

A Coordenação do MADE, apoiando iniciativa da Coordenação de Pesquisa a partir de maio de 2002 e objetivando a melhoria e o desenvolvimento do ensino e da pesquisa do seu Programa de Mestrado, implantou as chamadas 'Quartas de Seminários de Pesquisas', realizadas no campus Presidente Vargas, localizado na Avenida Presidente Vargas, 642, Centro, Rio de Janeiro. A realização dos seminários de pesquisa do MADE busca criar um ambiente favorável ao encontro e intercâmbio de idéias entre os membros dos corpos docente e discente do MADE e de outras instituições de pesquisa. Esta iniciativa se concretizou através da realização de 20 seminários entre maio e novembro de 2002, quase alcançando a marca de um seminário por semana. A programação de seminários de pesquisa em 2003 está disponível, a qual sofrerá atualizações constantes ao longo do ano.  Informações pelo e-mail mestradoadministracao@estacio.br">mestradoadministracao@estacio.br




Produção Científica Ontem e Hoje

A questão da produção científica brasileira em administração vem ocupando bom espaço nas conversas face a face ou telefônicas e passou a fazer parte da própria produção. Isto se deve ao número razoável de trabalhos que já se estendem há mais de uma década, onde vários autores, inclusive este que redige estas linhas, se debruçaram sobre a produção própria e a de companheiros e de companheiras.

Falou-se sobre quantidade, qualidade, paradigmas, metodologias, áreas temáticas, fontes bibliográficas, autores referidos, e sobre a sua relevância ou ausência. Como tudo isto é muito recente, na verdade a pós-graduação brasileira no seu formato atual desenvolve-se há apenas quatro décadas, remontando o Primeiro Programa Nacional de Pós-Graduação ao governo do general Ernesto Geisel, acredito que alguma contextualização poderia nos auxiliar a continuar e aprofundar este debate. Deixemos claro que acadêmicos são sempre narcisistas e nada nos agrada mais do que contemplarmos a nossa produção científica. E sempre perguntamos ao espelho: “espelho meu, espelho meu, existe produção científica mais bela do que a minha?” E o espelho vem-nos respondendo com freqüência que não, re-assegurando a nossa satisfação.

A pós-graduação brasileira, em seu formato atual, representa a adoção de um modelo universitário prussiano desenvolvido por Humboldt na Universidade de Berlim no início do século XIX, mediada pela influência dos Estados Unidos. Os norte-americanos, embora colonizados pelos ingleses, adotaram em sua pós-graduação o modelo germânico. Na verdade a Graduate School que agrega as atividades de pós-graduação na universidade norte-americana é a transposição da Hochschule alemã. Em nosso país a intenção de adotar o modelo se manifesta em meados da década de sessenta, quando o falecido Conselho Federal de Educação -CFE, definiu pós-graduação e dividiu-a em stricto e lato sensu, até hoje assim permanecendo. A década de setenta iniciou o processo da sua implantação nos moldes atuais. Aos dotados de curiosidade histórica ocorreria perguntar se antes existia pós-graduação no Brasil. A resposta é afirmativa. Não havia mestrados, mas havia doutorados, livres-docências e concursos com regulamentação variada para acesso ao final da carreira docente, então caracterizada pelo acesso à cátedra e seu ocupante o venerável catedrático, eliminado pela reforma universitária de 1969. Ao que eu saiba, continua a existir hoje apenas na Alemanha. Estes alemães confirmam, a todo instante, ser um povo realmente estranho.

Quem quisesse continuar estudando após a conclusão da graduação poderia fazer nalgumas poucas universidades uma especialização. Era este o nome que tinha na Universidade de São Paulo, nada tendo a ver com o nosso lato sensu hodierno. O candidato à especialização faria o que bem quisesse, Poderia ou não assistir a cursos. Poderia ir para uma universidade no exterior a fim de complementar sua formação e, depois, tinha de escrever pelo menos uma peça monográfica, às vezes duas e até três, dependendo do catedrático sob cuja tutela realizasse a sua especialização. Esperava-se que essas monografias fossem dotadas de originalidade. Depois havia o doutorado. Era coisa raríssima. Só o faziam os já inseridos na carreira docente e que se doutoravam como parte de um processo de acesso na carreira, já que sem o grau não era possível passar à livre-docência e, sem esta, não se poderia transitar até a cátedra. Consistia apenas na redação de uma tese, que era julgada por banca de cinco membros. Esperava-se que fosse uma peça de maturidade acadêmica. Quase sempre dela resultava uma publicação de relativa importância. Depois vinha a livre-docência, sobrevivência cabocla e adaptada do “docente privado” da universidade alemã e, finalmente, o concurso para acesso à cátedra, que também implicava na apresentação de um trabalho inédito.

O que resultava deste sistema poderia ser considerada a produção científica de outrora. Reduzidíssima comparada com a dos tempos atuais. A sua qualidade não poderia naturalmente ser avaliada pelos padrões de hoje. A referência aos Anais dos nossos EnANPADs, com milhares de submissões e centenas de aprovações e dezenas de prêmios e menções honrosas, mostra que transitamos do artesanato à produção em massa. Não me entendam mal. Pode haver péssimo artesanato e excelente qualidade e valor adicionado na produção em massa e vice-versa. Mas o volume passou a ser uma variável fundamental na produção científica dos dias atuais.

Mas como o modelo nos chegou via Estados Unidos, seria interessante comparar isto com o que lá vem ocorrendo. O sistema nos Estados Unidos é mais antigo, remontando à primeira metade do século XX. Universidades norte-americanas já tinham mestrados e doutorados estruturados nos anos trinta e quarenta. Mas não no volume e produzindo a quantidade de mestres e doutores que hoje produzem. O passo acelerou-se após o final da Segunda Guerra Mundial e os anos sessenta e setenta testemunharam o grande aumento. O fato é que figuras importantes da academia americana poderiam não ser formalmente titulados ainda no início do século XX. E veneráveis octogenários e nonagenários, ainda vivos e que marcaram a academia e a produção científica de suas áreas, não sobreviveriam no sistema atual.

O passado não tomou o publish or perish ao pé da letra. E o resultado é que havia menos produção, em termos quantitativos. Mesmo grandes “estrelas” teriam uma produção em número de itens publicados muito menor que o trabalhador acadêmico médio ou mediano de nossos dias. Contratos de trabalho e práticas da academia norte-americana implicam em produzir para ascender na carreira e para obtenção da ainda tão cobiçada tenure. Acadêmicos que optassem por poucas, mas marcantes obras, encontrariam dificuldades. Como imaginar o jovem Talcott Parsons gestando o seu Social System durante anos? Como explicar David Landes e o seu Unchained Prometheus? Mesmo como explicar nosso David Selznick ou Robert Merton? Todos teriam dificuldades em ter seus contratos renovados diante de tão exígua produção. Fernand Braudel que passou anos seguidos na produção de O Mediterrâneo na Época de Felipe II, não tendo publicado mais nada. E isto para não ir a Heidelberg e verificar que Max Weber, com sérios problemas de saúde, não dava aulas e era desorganizadíssimo, produzindo praticamente nada. Só depois de sua morte é que Marianne Weber coligiu boa parte das notas que resultaram em Economia e Sociedade. Nada foi apresentado em reuniões e congressos anuais, mesmo porque não se realizavam como a regularidade atual. E tais eventos nem precisariam da metáfora da praça e do mercado como na atualidade.

Afinal o mundo mudou e seria conveniente que tentássemos entender quais os vetores desta mudança ocorrida. Não se pode negar que estamos hoje no mundo da “ciência normal”. Se formos “kuhnianos” literais ficaremos felizes com tal situação. Afinal a ciência no mundo atual se faz não com base na genialidade e criatividade individual, mas no trabalho em equipe, à semelhança do que ocorre no mundo organizacional de maneira geral. Simplesmente o que fascina na organização é que nela pessoas absolutamente normais são capazes de produzir coisas aparentemente geniais. Assim é no mundo da “ciência normal”. Acadêmicos comuns, como nós todos, nem de longe bafejados pelo sopro da genialidade, submetemos artigos, escrevemos para encontros e congressos, credenciamo-nos como pesquisadores e acabamos responsáveis pela acumulação de conhecimento, desde que atuemos no interior de um “paradigma”. O trabalho de Kuhn foi genial, apesar de ele nunca ter sido presidente da CAPES nem haver participado do Conselho do CNPq.

Mas o modo industrial de produção científica implica também em falta de originalidade inevitável, mas sempre com produtos metodologicamente certificados por ISOs diversas que asseguram a sua qualidade e rigor. Muitas vezes, ao lermos um produto, percebemos qual o referencial teórico em que ele está situado e, se formos do ramo, seremos capazes de saber quais são as conclusões, mesmo sem ler o trabalho. Trata-se de um gênero oposto ao filme de suspense. Aliás, até se aconselha que se conheça primeiro o final. Daí o produto sempre vir acompanhado de um “abstract” para conforto do consumidor (leitor).

A interrogação que permanece é qual a efetiva relevância de tudo isso que escrevemos e publicamos. Claro só o tempo dirá. Mas não é difícil prever que muito provavelmente não seremos lembrados, a não ser em blocos, como convém a produtos industriais. Ninguém se lembra de um produto singular, mas todos serão capazes de falar em Ford modelo T ou em rádios de válvulas a vácuo, ou de fibras de poliéster. Acredito que os poucos ainda lembrados serão os que produzem o que Kuhn chamou de novos paradigmas e que paradoxalmente acabam não fazendo “ciência normal”.

Mas não nos preocupemos muito com estas coisas. Eu mesmo devo encerrar esta opinião rapidamente para poder terminar um artigo que devo publicar senão a minha pontuação como NRD 6 cairá e acabarei prejudicando o programa ao qual estou vinculado. E ao fim e ao cabo devo reconhecer que esta opinião não se encaixa na linha de pesquisa da qual participo.




Professor lança livro pela Editora Atlas

O professor José Odálio dos Santos, doutor em Finanças pela Fundação Getúlio Vargas (SP) e professor associado dos Cursos de Finanças do Mestrado da PUC-SP, lançou o seu livro revisado Análise de Crédito - Empresas e Pessoas Físicas, pela Editora Atlas.



Professora da Unisinos lança livro

O livro Gestão Contemporânea de Pessoas, organizado pela professora Claudia C. Bitencourt, do Programa de Pós-Graduação em Administração da Unisinos, foi lançado pela Editora Bockman.



Professor da Fecap coordena livro

A Editora Saraiva lançou o livro Métodos e Técnicas de Pesquisa em Contabilidade, coordenado pelo professor doutor Antônio Benedito Silva Oliveira, da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap).



Revista de Economia Mackenzie

A Universidade Presbiteriana Mackenzie lançou a Revista de Economia Mackenzie. Os interessados nesta publicação podem solicitar um exemplar enviando mensagem para o editor Leonardo Fernando Cruz Basso, através do e-mail leonardobasso@mackenzie.com.br">leonardobasso@mackenzie.com.br.



Revista Gestão & Tecnologia

Um amplo debate da comunidade universitária e empresarial sobre gestão e atividades organizacionais pode ser encontrado na Revista Gestão & Tecnologia. Os artigos refletem as temáticas contemporâneas, promovendo o encontro da análise teórica e da prática gerencial. A publicação é da Fundação Pedro Leopoldo, com a participação do Mestrado Profissional em Administração.
Maiores informações: http://www.unipel.edu.br/, josefernando@unipel.edu.br">josefernando@unipel.edu.br, cep@unipel.edu.br">cep@unipel.edu.br



Revista Base ? Revista de Administração e Contabilidade da Unisinos
A Revista Base – Revista de Administração e Contabilidade da Unisinos – é uma publicação quadrimestral do Centro de Ciências Econômicas da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos). O objetivo é divulgar as produções científicas relevantes nas áreas de Administração e Contabilidade. A revista é produzida por professores, pesquisadores, alunos e profissionais do Brasil e do exterior, selecionados exclusivamente com base na qualidade e efetiva contribuição para o desenvolvimento do conhecimento nesse campo. Outras informações podem ser obtidas através do e-mail revistabase@mercado.unisinos.br">revistabase@mercado.unisinos.br

Revista ADM.MADE
A Revista ADM.MADE editada pelo Programa de Mestrado em Administração e Desenvolvimento Empresarial (MADE - www.estacio.br/mestrado) da Universidade Estácio de Sá tem como finalidade básica contribuir para a ampliação e entendimento do conhecimento na área de Administração mediante a divulgação de trabalhos de pesquisa e análises teóricas que possam subsidiar as atividades acadêmicas e as ações administrativas de organizações públicas e privadas, em um contexto de crescente incerteza e complexidade. Para submissão eletrônica de artigos favor consultar o site www.estacio.br/revistamade e para maiores esclarecimentos e dúvidas enviar email para mestradoadministracao@estacio.br">mestradoadministracao@estacio.br