Pesquisar
Pesquisa Avançada

Informativo 19/Abr - Mai - Jun/2008


Publish....or perish!

A comunidade acadêmica de Administração no Brasil evoluiu de forma significativa ao longo das últimas décadas. Há trinta anos, o número de participantes no ENANPAD era inferior a uma centena. Havia a Revista de Administração de Empresas (RAE), da Fundação Getúlio Vargas, e a Revista de Administração da USP (RAUSP) estava sendo reativada. Eram poucos os Centros de Pós Graduação em Administração. Atualmente, a quantidade de periódicos em Administração, de Centros de Pós Graduação e de MBAs aumentou consideravelmente. Com o sistema CAPES de avaliação, professores e pesquisadores têm procurado publicar artigos de forma a conseguir uma pontuação minimamente adequada. Dentro desse contexto, uma das hipóteses centrais que poderiam ser colocadas refere-se à idéia de que a evolução qualitativa dos trabalhos publicados não acompanhou a evolução quantitativa. Nesse sentido, algumas reflexões poderiam ser úteis para um redirecionamento da produção científica em Administração no Brasil.

Um primeiro aspecto que poderia ser colocado refere-se à acentuada predominância do caráter endógeno nas publicações feitas. De modo geral, a quase totalidade dos artigos apresentados em eventos científicos ou publicados em periódicos indexados corresponde a autores de um mesmo centro de pesquisa. São raros os trabalhos em co-autoria envolvendo dois ou mais centros, aspecto este muito comum nas publicações norte-americanas. Com os recursos disponíveis hoje em termos de telecomunicações, a barreira de tempo e espaço inexiste para a cooperação entre professores e pesquisadores de vários institutos de ensino e pesquisa.

Se a cooperação entre centros de pesquisa no Brasil é relativamente baixa em termos de co-autoria em artigos, mais ainda o é em termos internacionais. A proporção de trabalhos envolvendo autores brasileiros e estrangeiros é extremamente pequena. No entanto, seguramente, esses são caminhos para o desenvolvimento qualitativo das nossas publicações.

Um segundo aspecto relaciona-se à desproporção existente entre trabalhos submetidos em congressos, encontros, simpósios, frente à publicação desses trabalhos em periódicos. Veja-se o caso do ENANPAD, EMA, ENEO, dentre outros. Sem dúvida, a dificuldade enfrentada na avaliação de um artigo para publicação, ao menos em periódicos com maior nível de impacto, muitas vezes passa por 3 ou 4 revisores em 2 ou 3 rounds. Ou seja, a avaliação por pares parece ser muito mais rigorosa para publicar em revistas técnicas do que em ter trabalho selecionado para apresentação em eventos. Assim, vivenciar situações de publicação nas melhores revistas de Administração no Brasil e no exterior é um aprendizado necessário para atingir níveis mais elevados de qualidade dos artigos.

Um terceiro ponto passível de ser abordado refere-se à predominância de artigos envolvendo o que, em filosofia de ciência, se denomina contexto de verificação vis-a-vis o contexto de descoberta. No primeiro caso, a preocupação do pesquisador centra-se na comprovação de idéias e, portanto, na verificação de hipóteses e teorias, envolvendo procedimentos de explicação, predição, formalização e testes empíricos, dentro de uma “lógica de verificação”. As atividades desenvolvidas para essa comprovação relacionam-se à modelagem de um fenômeno administrativo-social e à obtenção de sua solução. O que se observa é que parte expressiva das publicações não passa pelo crivo de validação e confiabilidade dos instrumentos de pesquisa e da generalização dos resultados, menos ainda da proposição de novos métodos ou técnicas de medida.

De outro lado, o contexto de descoberta está associado a aspectos relativos à origem de nossas idéias, à descoberta de hipóteses, leis ou teorias. As atividades relacionadas com esse contexto são a de conceitualização – capacidade de formular relações significantes dentro de algum sistema formal de pensamento abstrato, campo de trabalho do teórico da Administração – e a de implementação, caracterizando o espectro de atuação do administrador de organizações. Em relação a este último aspecto, tem-se observado um número expressivo de trabalhos abordando a forma de atuação dos administradores, utilizando em especial a técnica de estudo de casos. Já em termos de conceitualização, parece que a quantidade de trabalhos e contribuições inovadoras são ainda escassas, não importando o alto potencial de trabalhos nesta dimensão.

Os pontos mais significativos que poderiam ser elencados para reflexão acerca de melhoria de artigos na área de conceitualização em Administração parecem referir-se à consistência interna de conceitos ou teorias (inexistência de contradições lógicas), consistência externa (alinhamento das proposições com o núcleo comum de pensamento da comunidade científica), flexibilidade (capacidade de a teoria incorporar novas evidências da realidade), interpretabilidade (conceito ou teoria proposta ser testável empiricamente), poder explanatório (alcance e precisão dos conceitos ou teoria), previsibilidade (prever fatos que a teoria pode explicar), precisão conceitual (inexistência de conceitos ambíguos, vagos) e, principalmente, capacidade de unificação (conectar e integrar conceitos e teorias).

As colocações efetuadas parecem direcionar para a necessidade de uma maior exposição crítica dos trabalhos produzidos junto a pares no Brasil e no exterior. A academia brasileira em Administração – não obstante seu crescimento e evolução nas últimas décadas – ainda demanda maior representatividade e admiração no contexto internacional. A competição por publicar é cada vez maior. Também o é a seletividade dos artigos. Não bastam apenas inspiração e transpiração, é necessária maior e efetiva colaboração entre pares de diferentes centros de pesquisa.




2º Simpósio Internacional do Trabalho - Relações de Trabalho, Educação e Identidade
Público-alvo: professores de graduação e pós-graduação que se dedicam ao estudo dessas temáticas, graduandos, mestrandos e doutorandos envolvidos com pesquisa da área de trabalho e educação, mercado de trabalho e relações de trabalho.
Data: 14 a 16 de abril de 2008
Local: Faculdade de Educação da UFMG - Belo Horizonte / MG


2008 BALAS Annual Conference
Strategic Allances and Networks: Building Latin America's Future
Data: 23 a 25 de abril de 2008
Local: Universidad de los Andes School of Management - Bogotá, D. C., Colombia
Submissão de Trabalhos até 01 de novembro de 2007
www.balas.org


ABMP - XVI Congresso da Associação Brasileira de Medicina Psicossomática
Data: 01 a 05 de maio de 2008
Local: Mar Hotel - Recife/PE
www.psicossomatica.org.br


2008 CARMA Short Course Program- Research Methods
Data: 12 a 17 de maio de 2008
Local: Virginia Commonwealth University (Richmond,VA)
www.pubinfo.vcu.edu/carma/


EMAC 2008 - European Marketing Academy
Data: 27 a 30 de amio de 2008
Local: Universidade de Brighton/Inglaterra
www.emac2008.org


Pan-Pacific Conference XXV - Free Trade Agreements in the e-Global Age
Data: 02 a 04 de junho de 2008
Local: San Jose, Costa Rica


Institute of Work Psychology 2008 Conference on Work, Well-being and Performance: New Perspectives for the Modern
Data: 19 a 20 de junho de 2008
Local: São Paulo/SP
http://iwpconference.group.shef.ac.uk


CIMaR 2008

Conferência Anual da  CIMaR - Consortium for International Marketing Research
Data: 18 a 21 de junho de 2008
Local: -  promovida pelo COPPEAD em parceria com o IAG/PUC
www.coppead.ufrj.br/cimar2008




Inovação na estratégia empresarial é tema de aula magna na FEI, dia 3

Professor doutor da USP, Guilherme Ary Plonski, ministra aula inaugural do curso de Mestrado em Administração da FEI na próxima segunda-feira, dia 3 de março, às 20h, no campus Liberdade.

São Bernardo do Campo, 28 de fevereiro de 2008 – Como inserir a inovação na estratégia das empresas? Para debater esta e outras questões, o curso de Mestrado em Administração do Centro Universitário da FEI (Fundação Educacional Inaciana) convidou Guilherme Ary Plonski, coordenador científico do Núcleo de Políticas e Gestão Tecnológicas da Universidade de São Paulo (USP) e professor da FEA (Faculdade de Engenharia, Administração e Contabilidade) e Poli (Escola Politécnica), ambas da USP, para ministrar a palestra ‘Inovação na Estratégia’, durante aula inaugural da segunda turma do curso, que acontece dia 3 de março, às 20h, no campus Liberdade (rua Tamandaré, 688, bairro Liberdade, São Paulo).

Guilherme Plonski falará sobre a inovação incorporada na estratégia empresarial, tema que vem de encontro ao foco do curso de Mestrado da FEI, que é ‘Gestão da Inovação’. A palestra é aberta ao público, com inscrições pelo telefone (11) 3207-6800, com Carmen, ou mestrado.adm@fei.edu.br">mestrado.adm@fei.edu.br.

Ary Plonski é mestre e doutor em Engenharia de Produção pela Poli/USP. Também é presidente da Associação Nacional das Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (ANPROTEC) e diretor da área de Gestão de Tecnologias Aplicadas à Educação (GTE), da Fundação Carlos Alberto Vanzolini. Foi diretor superintendente (2001-2006) do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT) e integra os colegiados superiores de diversas instituições, como o Conselho de Administração do CGEE, Conselho Superior de Tecnologia e Competitividade da FIESP e Junta de Governadores do Technion – Israel Institute of Technology. É um dos criadores do Centro Incubador de Empresas Tecnológicas (Cietec).



VII Fórum no Espaço Executivo II (Boa Vista)

A Faculdade Boa Viagem tem se preocupado em dar um ensino de excelência. É por isso que ela abre espaço para seminários, debates e discussões, transmitindo o máximo de informação e conhecimento aos seus alunos. Pensando nisso ocorrerá entre os dias 28, 29 e 30 de abril o VII Fórum envolvendo os cursos de Gestão de Pessoas, Gestão de Marketing, Gestão Financeira, Gestão de Negócios, Gestão Hospitalar e Logística. Maiores informações pelos telefones: 3221-1429 ou 3421-6683 (Espaço Executivo II – Boa Vista).



Equipe do COPPEAD sobe ao pódio em Paris

Novamente uma equipe de alunos do COPPEAD sobe ao pódio na final mundial do jogo e-Strat Challenge promovido pela multinacional francesa L’Oréal.  Trata-se de uma simulação de gestão de uma empresa virtual de cosméticos.

Desde que escolas de negócios da America Latina passaram a ser incluídas na competição, em 2002, equipes do COPPEAD sagraram-se campeãs da região por seis vezes, conquistando assim uma das vagas dos finalistas da categoria Pós-Graduação que concorrem na final realizada anualmente em Paris.

O COPPEAD foi representado na competição deste ano por cinco times de alunos de Mestrado, que conquistaram o primeiro e terceiro lugares na semifinal para a região América Latina. A equipe vencedora dessa etapa, formada por Elisa Capistrano, Isabel Zborowski e Mariana Nádira, viajou para a capital francesa, onde conquistou o terceiro lugar mundial, concorrendo com os sete melhores times de escolas de negócios de outras regiões geográficas.

Em 2005, um time do COPPEAD foi campeão mundial.  Em outras finais parisienses, alunos da instituição já haviam chegado ao pódio em segundo lugar (2002) e em terceiro lugar (2003 e 2007). Ao todo, alunos do COPPEAD subiram cinco vezes ao pódio do e-Strat, o que é um recorde na história do jogo.

Esta foi a primeira vez em que a escola estava representada por uma equipe exclusivamente feminina. “Estamos determinadas a representar da melhor forma possível o Brasil, o COPPEAD e as mulheres, dentro de um jogo em que ainda predominam as escolas do hemisfério norte e os grupos masculinos”, declarou Isabel antes da viagem para Paris.   Com esse espírito, o time  feminino batizado  “EMIOdeon” só ficou atrás da equipe campeã TSL, da National Cheng Chi University (Taiwan), e da segunda colocada PowerUp, do Institut Teknologi Bandung (Indonésia). 

Concorriam na final equipes de alunos de renomadas escolas internacionais como o Instituto de Empresa (Espanha) e Cranfield University (Reino Unido).

Nas últimas edições, o e-Strat Challenge reuniu quase 200 mil estudantes de mais de duas mil escolas, representando 128 países. O jogo colocou aos participantes o desafio de gerenciar uma empresa virtual de cosméticos, concorrendo no “mercado” com outras quatro empresas, durante seis semanas (cada uma correspondente a um semestre de atividades). As equipes inscritas tomaram mais de 100 decisões estratégicas, envolvendo lançamentos de produtos, posicionamento de marca, investimentos em pesquisa, desenvolvimento etc.



Mestrado em Administração promove palestra

Programas em favor da sustentabilidade ganham relevância em vista das demandas por soluções para o impacto dos padrões insustentáveis de produção e consumo da sociedade atual. Essa preocupação mobiliza as discussões que serão tratadas na palestra Programas Pró-Sustentabilidade: Investigando Fatores e Fundamentações Teóricas para sua Gestão Bem-sucedida", promovida pelo mestrado em Administração da Universidade de Fortaleza. Ministrada pelo professor Cleber Dutra, a palestra acontece na segunda-feira, 14 de abril, às 17h, no Auditório A1 do campus.

Na palestra, serão apresentados os resultados de um estudo realizado pelo professor Cleber Dutra, em fase final de seu doutorado em Administração pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que contribui para indicar novas perspectivas para abordagens de análise e entendimento de diferentes aspectos dos Programas Pró-Sustentabilidade. No estudo, são integrados campos teóricos provenientes das Teorias Organizacionais, da Psicologia Ambiental, das Teorias de Aprendizagem Individual e em Organizações, valorizando sua sustentação via contribuições do Pensamento Complexo.  A possibilidade de alcançar uma concepção melhor fundamentada pelo conjunto de teorias mencionadas torna a proposta atrativa para estudos avançados na pesquisa em Administração. 

O tema convida à reflexão e à discussão saudável sobre as potencialidades dessa abordagem para diversas áreas de estudos organizacionais. O evento é direcionado a alunos do mestrado em Administração, a profissionais da área e a comunidade em geral. Mais informações pelo telefone 85 3477 3229.




Sobre o futuro do campo da gestão no Brasil

Como será o futuro do campo da gestão no Brasil? Alguns argumentam que o campo terá que ser reinventado por causa do ocaso dos MBAs. Outros argumentam que a trajetória do campo está somente em seu início devido às novas oportunidades trazidas pela globalização. Para responder adequadamente a esta pergunta devemos tentar compreender o campo da gestão por meio de uma perspectiva histórica.

Apesar da aversão da área da gestão a análises históricas, vivemos um momento extremamente favorável para esse tipo de análise. Neste ano de 2008 estamos lembrando a abertura dos portos do Brasil às nações amigas de Portugal e a chegada da corte portuguesa. A abertura dos portos ocorreu em um cenário da política internacional marcado pelo extraordinário poder da França e da Inglaterra na Europa. Isso ajuda a explicar a surpreendente transferência, em 1808, de uma corte européia – no caso, a portuguesa – para uma colônia na América Latina – no caso, o Brasil.

Naquele ano o Brasil abria suas fronteiras também à academia européia dominante. Em nome da civilização, essa academia já havia adentrado ou ‘invadido’ muitos territórios. Uma novidade naquele ano de 1808 é que uma corte européia, que se transferira para uma colônia na América Latina, estava sendo subjugada por cortes européias que dominavam a academia. Podemos afirmar então que o ano de 1808 marcou no Brasil o início da inusitada história de ‘colonização’ acadêmica. Essa inusitada história é de grande importância para a análise do campo da gestão no Brasil.

Apesar de reproduzir traços daquele padrão iniciado em 1808, a história da academia de gestão no Brasil é recente Somente em meados do século XX, em um cenário político internacional marcado pela ascensão dos EUA como potência hegemônica e pela demonstração de importância da academia e da ciência na Segunda Guerra Mundial, que o mundo começou a reconhecer a academia de gestão dos EUA.

Naquele momento, a academia e a ciência da gestão ainda eram coadjuvantes no campo mais amplo da academia e da ciência, que era dominado por europeus. A academia e a ciência da gestão não estavam em posição plena para ‘civilizar’ ou ‘colonizar’, apesar da posição dos EUA naquele cenário. Nesse contexto, o Brasil, como país infante no campo da academia e da ciência, foi ‘colonizado’ pela academia de gestão dos EUA.

Analistas argumentam que um dos principais problemas da academia de gestão do Brasil é a ‘colonização’ dos EUA. Esses analistas não reconhecem que tanto a carência de fundamentos sólidos na área da gestão quanto a fragilidade da academia de gestão dos EUA naquela época ajudam a explicar por que acadêmicos do Brasil abraçaram com vigor aquela área emergente. Esse traço reproduz características da inusitada história de ‘colonização’ acadêmica do Brasil.

Muitas coisas mudaram recentemente. Desde o final da Guerra Fria tivemos um extraordinário processo de expansão da academia e da ciência. Segundo diversos especialistas, a era da globalização marca o apogeu do conhecimento científico e, portanto, do projeto de civilização que vem sendo construído por europeus há alguns séculos. Tudo ou quase tudo que existe no universo vem sendo reconhecido, mapeado e tratado pela academia e pela ciência. Ambas vêm se expandindo em territórios conhecidos e adentrando número crescente de novos territórios. A academia e a ciência da gestão tanto foram impulsionadas por esse processo quanto ajudaram a impulsionar esse processo.

Apesar de mal vista por áreas que se baseiam em número elevado de fundamentos sólidos, a academia e a ciência da gestão já não são mais meros coadjuvantes no campo da academia e da ciência. O domínio dos EUA, o enorme montante de investimentos feitos por diversos stakeholders nesse campo, e a importância estratégica de um campo carente de fundamentos sólidos para diversos processos de expansão/invasão na era da globalização ajudam a explicar essa nova posição.

Em nome do desenvolvimento, o campo da gestão se expandiu em inúmeros países (inclusive nos EUA) e adentrou novos territórios nessas últimas duas décadas. Uma das vantagens do campo da gestão é que este enfrenta menos resistências do que outros campos consolidados. Por meio de sub-áreas novas como gestão da saúde e gestão ambiental, por exemplo, políticas, investimentos e diretrizes em biotecnologia, biogenética e biodireito adentram diversos países com rapidez e eficácia. Isso ajuda a explicar por que a comunidade acadêmica no campo da gestão é nos dias atuais uma das mais globais e globalizadas das comunidades acadêmicas.

Evidentemente, os extraordinários resultados alcançados recentemente têm enorme importância para diferentes tipos de stakeholders, em diferentes países, que se dedicam de alguma maneira a mapear e moldar o futuro do campo da gestão.

É correto afirmar que esse grandioso processo de expansão/invasão do campo da gestão foi construído e impulsionado pelas economias tidas como desenvolvidas, com óbvia liderança dos EUA. Entretanto, tendo o caso brasileiro como exemplo, é correto afirmar que esse processo foi também construído e impulsionado por acadêmicos, empresas e governos de países menos desenvolvidos que busca(ra)m uma oportunidade de rápida ascensão no (e inserção ao) mundo da academia e da ciência por meio de investimentos menos vultosos em uma área emergente e carente de fundamentos sólidos.

A história recente explica melhor essa combinação de movimentos. Como única superpotência no contexto internacional após o término da Guerra Fria, os EUA vêm implementando políticas focadas no conceito de interdependência, em grande parte para evitar a ascensão de uma nova superpotência. O campo da gestão foi visto por autoridades e instituições daquele país como um recurso estratégico para viabilizar esse processo. Foi então construído o consenso pelos EUA e por países desenvolvidos de que na era da globalização todos devem fazer parte do campo da gestão.

Poucas pessoas que testemunharam o modesto nascimento da ciência e da academia de gestão nos EUA podiam prever que a gestão alcançaria tamanho grau de importância no contexto internacional. Como um domínio de crescente importância e carente de fundamentos sólidos, este campo não vem sendo governado exatamente por acadêmicos e suas instituições.
Isso ajuda a explicar por que a maioria dos acadêmicos da área de gestão ainda não entendeu o que de fato está acontecendo. No Brasil, além de termos sidos surpreendidos por esse grandioso processo de expansão/invasão, ainda temos dificuldades para reconhecer a importância política e econômica do campo da gestão, especialmente no âmbito internacional.

Diferentemente dos EUA e da Europa, a academia de gestão do Brasil não mobiliza o interesse de disputar, sob uma perspectiva de interdependência, os interesses, recursos e mercados da China ou do Leste Europeu. A academia nem mesmo mobiliza o interesse de disputar, sob alguma perspectiva de interdependência, interesses, recursos e mercados da América Latina ou de países de língua portuguesa. A academia e as organizações e instituições que timidamente ajudam a governar o campo da gestão no país ainda não despertaram para a efetiva importância deste campo.

Em termos específicos, ouso afirmar que não estamos em posição ainda de mapear ou moldar o futuro do campo da gestão no Brasil porque não tivemos suficiente motivação, tempo ou capacitação para compreender este campo. A motivação é praticamente inexistente porque fomos muitíssimos beneficiados pelo boom da gestão. Enquanto acadêmicos de sociologia, por exemplo, assistem ao esvaziamento de seus departamentos nas universidades, assistimos ao extraordinário crescimento da ‘nossa’ área. Isso ajuda a explicar por que a área continua sendo mal vista pelas áreas que se baseiam em muitos fundamentos sólidos, ao invés de ser estrategicamente apoiada.

O tempo é praticamente inexistente por causa do imenso número de demandas e oportunidades à nossa frente. A expansão/invasão do campo da gestão transformou acadêmicos em gerentes/empreendedores que priorizam o aproveitamento de novas oportunidades no campo da gestão (uma área provida de muitos fundamentos sólidos tem muito menos oportunidades e novidades do que uma carente de fundamentos sólidos) e de suas próprias carreiras. Em outras palavras, estamos ocupados demais com o ‘aqui e agora’ para problematizarmos a história e o futuro do campo da gestão.

A capacitação é praticamente inexistente porque não fomos preparados pela academia e pela ciência da gestão para compreender ou lidar com esse extraordinário processo de expansão/invasão. Grande parte da geração mais avançada da academia de gestão no Brasil foi formada em países tidos como desenvolvidos – mais notadamente nos EUA, Reino Unido e França. A geração mais recente foi ou está sendo formada por acadêmicos daquela geração mais avançada. Esse círculo vicioso bloqueia a compreensão do campo da gestão e nossa capacidade de prever ou moldar o futuro do campo.

A ‘celebração’ dos duzentos anos da ‘invasão’ do Brasil e a inusitada história de ‘colonização’ da academia brasileira devem nos inspirar a buscar a superação desses obstáculos sob uma perspectiva histórica.

Para isso temos que nos deseducar, ‘desacademizar’, e ‘descientificar’ um pouco, apesar de estarmos em pleno apogeu da ciência e da academia e de termos que promover a educação, a ‘academização’ e a ‘cientificação’. A nosso favor, temos o fato de sermos infantes no campo da ciência e da academia, de contarmos com uma história inusitada de ‘colonização’ acadêmica, e de termos abraçado com vigor uma área carente de fundamentos sólidos que acabou se tornando extremamente importante.

Compreender a história do campo da gestão não significa, entretanto, moldar seu futuro no Brasil. Em termos práticos, é hora de perguntarmos quem moldará o futuro do campo da gestão no país. Em um mundo marcado por políticas de interdependência e pela liderança dos EUA, é hora de reconhecermos que a história do campo da gestão continuará não sendo moldada apenas pela academia da gestão e seus acadêmicos e instituições. Recursos e interesses de diferentes tipos de stakeholders, no Brasil e no exterior, continuarão sendo extremamente importantes para futuro do campo da gestão no país.

A questão que ainda temos que fazer é a seguinte: que tipo de desenvolvimento e que tipo de civilização o campo da gestão no Brasil está e estará ajudando a construir?




Professor de psicologia da FBV lança livro na Livraria Cultura

O professor de psicologia da Faculdade Boa Viagem, Leopoldo Barbosa, lançará seu livro com o título “Modalidades Clínicas Psicológicas em Instituições”, às 19h, na Livraria Cultura. O livro aborda temas como as atuais mudanças na psicologia e que os conceitos que a orientam devem estar em constantes transformações.

Mais informações no local ou pelo telefone 3081 – 4444 (Campus I FBV – Imbiribeira).



Livro conta os 50 anos da Escola de Administração de Empresas de São Paulo

Em 1954 nascia a Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV-EAESP). Os 50 anos foram comemorados em 2004, mas a partir desta data, surgiu a idéia de se fazer um livro contando a trajetória da Escola. Sob a coordenação geral da professora Marina Heck, responsável pela Coordenadoria de Extensão Cultural e da área GV- Comunidade, o livro FGV-EAESP 50 anos foi sendo construído em períodos decorrentes das memórias e histórias relatados pelos professores fundadores, primeiros alunos, alunos que se tornaram professores, empresários, executivos que hoje ocupam altos cargos em empresas e primeiras mulheres que ocuparam cargos na instituição. Também foram ouvidos os presidentes do Diretório Acadêmico, diretores da Escola, presidentes do Conselho de Administração bolsistas, administradores públicos e políticos.

Com projeto gráfico e editorial da Via Impressa, as entrevistas, sua organização e texto foram feitos por Clarisa Junqueira Coimbra, que utilizou a oralidade para a compreensão de fatos e comportamentos que marcaram a criação e a formação da EAESP. Com 224 páginas e muitas fotos, a obra está divida em quatro períodos: O Pioneirismo – 1954/1964; De Parâmetro a Paradigma – 1965/1979; Tempos Heróicos – 1980/1992; e Novos Rumos – 1993/2004. Em cada um dos períodos há uma síntese histórica socioeconômica, política e cultural do Brasil, o que ajuda a entender em que medida o macro contexto influenciou as atividades da Escola e o quanto foi influenciado por ela. O livro tem ainda uma rica pesquisa iconográfica que caminha por diferentes épocas.

Fruto da necessidade iminente de uma solução para apoiar o salto da industrialização paulista, a EAESP surgiu com uma nova proposta de formação dos primeiros professores, além da introdução do inovador “método de caso”, o que fez dela um agente de mudanças no quadro da administração no país e, conseqüentemente, um agente multiplicador da nova visão. Com a implantação da Escola na capital paulista, a administração no país conheceu uma importante mudança, que norteou a profissionalização das atividades empresariais, validado pelo sucesso de seus alunos no mercado profissional.

Na introdução da publicação, o professor Antonio Angarita Silva, um dos fundadores da EAESP e hoje vice-diretor da Escola de Direito da Fundação Getulio Vargas (EDESP), relembra a atuação marcante do professor Gustavo de Sá e Silva, que em sua gestão como diretor fez com que o pensar e o fazer estivessem sintonizados com o que a Escola representava para o ensino universitário entre os anos 60 e 70, como oferta de nova formação profissional aos jovens; métodos de ensino inovadores; novas práticas nas relações docente / discente passando pela convivência e atuação política; liberdade acadêmica e de ensino; introdução da organização departamental; e democracia dos órgãos colegiados. Tudo isso, reafirmando o pioneirismo da Escola e a consolidação de um novo paradigma no ensino da administração.

A obra traz depoimentos de importantes nomes que fizeram a história da Instituição. No período “O Pioneirismo” (1954/1964), além do professor Antonio Angarita Silva, participaram Geraldo José Lins (falecido em junho de 2007), Roberto Herbster Gusmão, Wolfgang Schoeps, Polia Lerner Hamburger, Claude Machline, Abilio Diniz, Marcos Vinicius Fittipaldi, Eugênio Emílio Staub, Eduardo Matarazzo Suplicy. Na parte “De Parâmetro a Pardigma” (1965/1979), os entrevistados foram Gustavo de Sá e Silva, Kurt Ernest Weil, João Carlos Hopp, Luiz Carlos Bresser-Pereira, Carlos Osmar Bertero, Laércio Francisco Betiol, José Ermírio de Moraes Neto (citado Antonio Ermírio de Moraes), Fabio Barbosa e Álvaro da Silva. Já na fase “Tempos Heróicos” (1980/1992) foram ouvidos Fernando Gomez Carmona, Paulo Clarindo Goldschmidt, Carlos Ernesto Ferreira, José E. Midlin, Célia Maria Bucchianeri Francini Vasconcellos, Antonio Carlos Rea, Marcos Cintra Cavalcanti de Albuquerque e Flavio Augusto Huttner. Por último, no período “Novos Rumos” (1993/2004), os depoimentos foram de Michael Paul Zeitlin, Maria Lúcia Pádua Lima, Peter Sink, Zilla Patricia Bendit, Alain Florent Stemfer, Tadeu Massano, Francisco Sylvio de Oliveira Mazzucca; Camila de Assunção Appel, Fernando Meirelles e Carlos Ivan Simonsen Leal (atual presidente da Fundação Getulio Vargas).