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Pesquisa Avançada

Informativo 7/Abr - Mai - Jun/2005


Por um novo modelo de gestão de institutos públicos de pesquisa

Transformações político-econômicas vêm pondo em questão o papel e a forma de atuação dos governos em geral, levando a uma análise sobre a real necessidade de existência de muitos órgãos e empresas sob controle do Estado. Instituições públicas de P&D e de prestação de serviços passam então a ter que provar sua capacidade de produzir respostas tecnológicas que permitam melhorar a competitividade das indústrias no país e a qualidade de vida da sociedade.

A incerteza, a reestruturação e a mudança são fatos comuns para a maioria dos institutos de pesquisa públicos, o que os tem levado a perceber, de forma mais direta, que o planejamento efetivo dos negócios é vital para que as organizações sobrevivam à mudança e ao progresso. O planejamento dos negócios precisa ser realizado sistemática e regularmente, como parte da vida cotidiana de um instituto.

A identificação de mudanças na prática de pesquisas nos institutos pode ser observada, analisando-se as alterações ocorridas em:
• Financiamento;
• Relações institucionais (parcerias);
• Objetivos das pesquisas (conteúdo/objeto de pesquisa) - edital e um sistema de priorização que fixem os pesquisadores dentro de um contexto predefinido;
• produtos das atividades de pesquisa/comercialização dos conhecimentos;
• Gerenciamento/administração dos institutos de pesquisa públicos - planejamento mais rigoroso, plano de carreira para o pesquisador, recompensas, incentivos, processo decisório;
• Prática profissional do pesquisador- profissionalização, introdução de regras e critérios de desempenho.

Os institutos de pesquisa bem sucedidos vêm sobrevivendo a acontecimentos externos turbulentos formulando estratégias determinadas, criando estruturas organizacionais flexíveis. Ressalta-se a importância do gerenciamento de recursos humanos. O trabalho em equipe e as comunicações efetivas conduzem ao adequado gerenciamento de projetos e sistemas de avaliação.

Merece destaque a questão do relacionamento entre empresas e os institutos de pesquisa. É visível a mudança de sistema de financiamento do sistema de C&T nos países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). Uma parcela crescente dos recursos vem das empresas, embora com intensidade variável segundo os setores e as firmas. O modelo linear, que ia da pesquisa básica para a aplicada e para o desenvolvimento industrial de produtos ou processos, deu lugar a uma espiral em que problemas de tecnologia industrial, para serem solucionados, levam a questões de pesquisa. A participação maior da indústria nas pesquisas acadêmicas foi encorajada pela necessidade de acompanhar o avanço rápido das tecnologias e de fortalecer a capacidade de inovação. As instituições de pesquisa são levadas a desenvolver novas modalidades de relacionamento com a indústria para otimizar os fluxos interorganizacionais de informação e conhecimentos. Para tal, procuram diversificar os campos de conhecimentos e as competências gerenciais. A maior interação entre os institutos de pesquisa e as empresas deve ser organizada através do estabelecimento de prioridades de pesquisa para os projetos com maiores oportunidades para inovar e para os projetos de pesquisa estratégica, por meio da ampliação dos mecanismos de transferência à indústria e pela vinculação do financiamento público aos investimentos industriais em P&D.

A intensidade das transformações na organização dos institutos de pesquisa leva à constatação de uma verdadeira revolução acadêmica. A capitalização e a comercialização dos conhecimentos impõem uma transformação do modo de fazer pesquisa, levando grupos de pesquisadores a se tornarem “quase firmas”. As instituições passam a gerenciar a pesquisa em termos cada vez mais parecidos com os princípios de gestão empresarial. O novo paradigma organizacional para os institutos de pesquisa impõe sua integração em redes, a priorização e posterior avaliação das pesquisas realizadas, o intercâmbio com a indústria e a diversificação das fontes de recursos e das modalidades de financiamento.

Este breve comentário sobre temática tão complexa não pretende esgotar a discussão, mas estimular os estudiosos da área a se dedicarem mais à análise de órgãos de pesquisa, com o objetivo maior de permitir uma reflexão mais sistemática sobre o papel desempenhado pelos institutos de pesquisa e seu impacto sobre o processo de desenvolvimento socioeconômico do País. Além disso, tal análise deve procurar identificar até que ponto o tratamento conferido pelo Estado aos institutos de pesquisa tem ajudado ou prejudicado seu desempenho. Assim, será possível sugerir linhas básicas de um modelo de política institucional a ser adotado por órgãos públicos de pesquisa no Brasil, contribuindo para o debate sobre a definição de uma política governamental de Ciência e Tecnologia mais consolidada.

Deborah Moraes Zouain
Profa. Titular da FGV/Ebape




Recuperação de empresas é tema de seminário na Ebape/FGV
Nos dias 5 e 6 de maio de 2005, no Auditório da Firjan, no centro do Rio de Janeiro, a Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas (Ebape/FGV) promoverá o Seminário Nacional Nova Lei de Recuperação de Empresas: Aspectos Jurídicos e Gestão Empresarial e Turnaround, sob a coordenação da prof. Fátima Bayma de Oliveira. A inscrição é gratuita e as vagas, limitadas. Mais informações e o programa completo do evento no site www.ebape.fgv.br/novalei.

Ebape/FGV, Unctad e IBRE/FGV realiza seminário internacional
A Ebape/FGV, em parceria com a Unctad e o IBRE/FGV, realizou o seminário Adjusting to Trade Reforms: What are the Major Challenges for Brazil in WTO Industrial Tariff Negotiations for Developing Countries?, no dia 4 de março de 2005. O evento, organizado pelo professor Eduardo Marques, da Ebape/FGV, contou com a participação dos seguintes palestrantes: Sam Laird – Head - Trade Analysis Branch – Unctad; Santiago Fernández de Córdoba - Economist, Trade Division – Unctad; e a professora Lia Valls Pereira, do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE/FGV). Os artigos apresentados pelos palestrantes podem ser consultados no site www.ebape.fgv.br/novidades.

Mackenzie promove evento sobre finanças
O V Encontro Brasileiro de Finanças será realizado em São Paulo, nos dias 18 e 19 de julho de 2005, na Universidade Mackenzie. A programação se concentra em quatro áreas temáticas: Investimentos e Finanças Internacionais; Finanças Corporativas; Derivativos e Risco; Econometria e Métodos Numéricos em Finanças. As inscrições de trabalhos serão aceitas até às 8h (horário de Brasília) do dia 2 de maio. Outras informações no site www.sbfin.org.br.

Empreendedorismo e gestão de pequenas empresas na UEM/UEL e PUC/PR
Os Programas de Pós-Graduação em Administração da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e da Universidade Estadual de Londrina (UEL), realizarão, em conjunto com a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), o IV Encontro de Estudos sobre Empreendedorismo e Gestão de Pequenas Empresas – Egepe. O tema do evento é O Desafio da Criação e Gestão de Empresas Frente ao Desenvolvimento Sócio-econômico Brasileiro. O evento será de 15 a 17 de maio, em Curitiba (PR). Mais informações nos sites www.uel.br/eventos/egepe e www.ppa.uem.br.

MADE promove encontro sobre redes empresariais
O curso de Mestrado em Administração e Desenvolvimento Empresarial (MADE) da Universidade Estácio de Sá, do Rio de Janeiro, realizou o II Seminário de Redes Empresariais: Arranjos Produtivos Locais, Configurações, Estruturas e Atores. O evento contou com a participação de diversos professores de várias instituições de ensino público e privado e de representantes de órgãos do Poder Público. O seminário ocorreu nos dias 6 e 7 de abril de 2005, com o apoio da Finep.


Posse de acadêmicos eleitos para a Academia Brasileira de Ciência da Administração

No dia 07 de março, foi realizada cerimônia de posse dos acadêmicos eleitos para a Academia Brasileira de Ciência da Administração (ABCA), dentre os quais os professores Carlos Osmar Bertero (EAESP - FGV/SP e Presidente da ANPAD), Carlos Ivan Simonsen Leal (Presidente da FGV), Gustavo de Sá e Silva (EAESP - FGV/SP), Fernando Guilherme Tenório (EBAPE), Irapoan Cavalcanti (EBAPE) e Maria do Socorro Macedo Vieira (EBAPE).



Vencedor do prêmio Pulitzer convida professor da Ebape/FGV para co-autoria
Douglas Richard Hofstadter, vencedor do prêmio Pulitzer, convidou o prof. Alexandre Linhares, da Ebape/FGV para participar do seu próximo livro. O brasileiro terá oportunidade de apresentar os resultados da pesquisa The Subcognitive Structure of Strategic Vision, desenvolvida pela Ebape.

Fucape integra Conselho Editorial da Revista Brasileira de Contabilidade

O diretor Administrativo-Financeiro da Fundação Instituto Capixaba de Pesquisas em Contabilidade, Economia e Finanças (Fucape), Valcemiro Nossa, foi nomeado pelo Conselho Federal de Contabilidade para integrar o Conselho Editorial da Revista Brasileira de Contabilidade, considerada uma das principais publicações nacionais da área Contábil. Doutor em Controladoria e Contabilidade pela USP, Valcemiro vai contribuir no processo de avaliação dos artigos publicados.



Professores da Ebape têm trabalhos aceitos no Academy of Management Meeting 2005

Dois professores da Ebape tiveram trabalhos aceitos no renomado congresso internacional Academy of Management Meeting: o prof. Ricardo Lopes Cardoso, com Accounting Information in the Conflict Between Regulator and Regulated Firms: Evidence from Brazil (co-autoria com prof. dr. Eliseu Martins), e o prof. Alexandre Faria, com Critique and Relevance on Marketing Strategy: a Perspective from a Developing Country. O congresso ocorre em agosto, em Honolulu, no Havaí.



Prof. Clóvis L. Machado da Silva palestra em aula inaugural na Univali

O Programa de Mestrado Acadêmico em Administração da Universidade do Vale do Itajaí (Univali) promoveu, no dia 28 de fevereiro de 2005, o Seminário de Integração da Turma III. O evento culminou com a participação do prof. Clóvis Luiz Machado da Silva, que proferiu a palestra intitulada Perspectivas da Pesquisa em Estudos Organizacionais e Estratégia.



Universidade de Oxford publica pesquisa de professor da Ebape
A revista científica Oxford Development Studies, da Universidade de Oxford (Queen Elizabeth House), publicou um artigo sobre globalização de capacidades tecnológicas inovadoras no contexto de economias emergentes. O trabalho é de autoria do professor dr. Paulo Negreiros Figueiredo, da Ebape/FGV, e da renomada pesquisadora internacional dra. Norlela Ariffin. A amostra de 82 empresas da indústria eletrônica no Brasil e na Malásia derivou de um extensivo trabalho de campo, implementado pelo Programa de Pesquisa em Gestão da Aprendizagem Tecnológica e Inovação Industrial no Brasil, da Ebape/FGV.

Fucape e FDV fazem parceria para criar escola de negócios
A Fucape e a Faculdade de Direito de Vitória firmaram parceria para criar uma Escola de Negócios nos moldes internacionais, inédita no Espírito Santo. A proposta é reunir conhecimento dos cursos de Administração, Ciências Contábeis – Contador Global e Economia, oferecidos por ambas instituições, possibilitando um ensino mais abrangente e de acordo com as exigências do mercado. A Escola será coordenada pelo diretor da Fucape, prof. Aridelmo Campanharo Teixeira.

Professor da Mackenzie retorna de programa de pós-doutorado
O professor Sílvio Popadiuk, do Programa de Pós-graduação em Administração de Empresas da Universidade Presbiteriana Mackenzie, retornou de um programa de pós-doutorado na Universidade de Toronto, no Canadá, na Faculty of Information Studies. A pesquisa foi realizada na área de inovação, envolvendo conceitos e tipologias, e visou identificar conexões com o processo de conversão de conhecimento nas empresas – socialização, externalização, combinação e internalização.

Professor Sérgio Bulgacov ministra palestra no MADE

O prof. Sérgio Bulgacov, da UFPR, foi um dos palestrantes nos seminários de pesquisa promovidos pelo Mestrado em Administração e Desenvolvimento Empresarial da Universidade Estácio de Sá. A palestra Fatores Promotores, Dificultadores e Conseqüências da Formação de APLs foi apresentada no dia 5 de abril de 2005.



Ebape/FGV recebe ex-chairman e Deputy Dean da Warwick Business School como professor visitante

O professor Robin Wensley esteve em março de 2005 na Ebape para proferir workshops e palestras nas suas áreas de pesquisa: estratégia, marketing, tomada de decisão e avaliação da vantagem competitiva. O professor Robin Wensley é ex-chairman e deputy dean da Warwick Business School, uma das mais prestigiosas escolas de negócios do Reino Unido e Europa, e ex-editor-chefe do Journal of Management Studies. Em sua passagem pelo Brasil, Wensley também definiu linhas de pesquisa conjuntas com professores da Escola e estudou o Programa de Administração Pública da Ebape, já que Warwick recentemente lançou programa similar.



MADE abre inscrições para Mestrado em Administração e Desenvolvimento Empresarial
As inscrições para seleção do Mestrado em Administração e Desenvolvimento Empresarial (MADE), da Universidade Estácio de Sá, abrem em maio de 2005. O processo seletivo está programado para o mês de julho. Maiores informações no site do programa: www.estacio.br/mestrado.

Professor da Ebape/FGV integra Conselho da Associação Comercial do Rio de Janeiro
O professor Paulo Emilio Matos Martins, da Ebape, foi convidado pelo embaixador Marcílio Marques Moreira para integrar o Conselho Empresarial de Relações de Trabalho da Associação Comercial do Rio de Janeiro. Martins é professor titular e coordenador do Programa de Estudos de Administração Brasileira da Ebape/FGV.

Professor da Universidade de Essex, Reino Unido, profere palestra na Ebape/FGV
O professor Steffen Böhm, pesquisador e diretor do programa de doutorado do Departamento de Administração, Finanças e Contabilidade da Universidade de Essex, no Reino Unido, esteve no dia 2 de fevereiro de 2005 na Ebape. Böhm apresentou a palestra The Politics of Social Forums and the Relevance for Management and Organization Studies. Suas pesquisas têm como principal foco as perspectivas políticas das organizações e da gerência.

Professor da Fucape será o doutor mais jovem da USP
O professor Fábio Moraes da Costa, 25 anos, vai defender, em abril de 2005, sua tese de doutorado em Controladoria e Contabilidade pela Universidade de São Paulo (USP), e se tornará o doutor mais jovem da história da instituição paulista. O professor Fábio é mestre em Controladoria e Contabilidade e leciona nos cursos de pós-graduação da Fucape, em Vitória (ES).


Novos Tempos, Novas Estruturas, Novas Estratégias

Ao longo de quase 30 anos a nossa área de conhecimento tem observado uma fantástica taxa de crescimento. Isto é muito bom e implica em constante processo de mudança. Aliás, tema recorrente em nossas aulas e pesquisas. Mudança parece ser o que existe de constante para todos que labutam na área. Costumo dizer que é um problema bom de resolver, pois ele decorre do sucesso. Sucesso em quantidade e também em qualidade.

As recentes mudanças implementadas nas temáticas do próximo EnANPAD, a ser realizado em Brasília, no período de 17 a 21 de setembro, parecem-me ser um passo na direção da modernidade de nossas atividades. Por decisão da Assembléia dos Programas Associados, as diversas temáticas foram aglutinadas em 10 Divisões Acadêmicas (a de Ensino e Pesquisa em Administração e Contabilidade, foi acrescida ad referendum posteriormente). A lógica predominante foi, sem dúvidas, a de aumentar a consistência na submissão dos trabalhos e, no médio prazo, criar uma condição que induzisse o estabelecimento de agendas de pesquisa, as quais devem resultar em acúmulo significativo do conhecimento da administração das organizações que operam no Brasil. Foi apenas um passo em uma longa caminhada acadêmica.
Nesta linha, gostaria ainda de observar que na escolha dos Coordenadores das Divisões Acadêmicas foi introduzido um princípio democrático de consulta aos associados das mesmas. Tal prática, que teve a devida aprovação da Assembléia por proposta da antiga Diretoria, incrementou de modo significativo a importância dos pesquisadores em tornarem-se sócios, como indivíduos, da ANPAD. Eles passaram a ter poder de decisão na escolha dos Coordenadores, ainda que a Diretoria da ANPAD tenha a prerrogativa da escolha final entre os mais votados. Isto me parece justo, em face de considerações geo-acadêmicas de representatividade. Por sua vez, os Coordenadores de Divisão Acadêmica em acordo com a Diretoria, indicaram os Coordenadores das Áreas Temáticas. No total, foram estabelecidas 10 divisões e 29 áreas temáticas. Caracteriza-se visivelmente uma descentralização que deve tornar mais eficiente o processo de seleção dos artigos submetidos, em especial no EnANPAD.

Esta é uma outra questão que está por merecer mudança. Apesar da atenção criteriosa que é dada à avaliação dos artigos submetidos (incluindo, por exemplo, o blind review, a normalização de notas atribuídas e a padronização de formato), são reconhecidas as dificuldades em manter uma elevada consistência na qualidade e densidade acadêmica de análise nos pareceres emitidos por nossos avaliadores, todos, sem exceção, voluntários. O ponto crucial aqui, está relacionado ora com a quantidade de artigos a serem avaliados ora com o número elevado de avaliadores. Há de se pensar, para os próximos encontros, em uma pré-seleção talvez de resumos expandidos e posterior submissão de trabalhos completos para os melhores avaliados. É uma idéia, como também é a cobrança de taxa para cada submissão, com o valor descontado na inscrição para o evento. São mudanças que estão sendo maturadas com as lideranças e, em tendo boa receptividade, deverão ser implementadas, em breve.

A questão relacionada com a identidade dos encontros temáticos (EnEO, 3Es, EMA, EnAPG, etc) também deve ser discutida e analisada. A quantidade de trabalhos submetidos nesses encontros tem sido equivalente, às vezes maior, do que a sua correspondente Divisão no EnANPAD. Alguns artigos, todavia, carecem de enquadramento, isto é manda-se o artigo sem ter uma preocupação de verificar, com atenção, ao menos a pertinência em relação à temática. São encontros bianuais, cujas identidades precisam ser mais bem definidas. Será que eles devem ter o formato dos EnANPADs? E o que se pode fazer em relação a estrutura de custos fixos decorrente? Talvez devessem ser encontros mais seletivos nos trabalhos aceitos, talvez mais diretivos em estabelecer o horizonte acadêmico na temática.

Por fim, mas não menos importante, entendo que, balizadas pela crença absoluta em procedimentos mais participativos, as mudanças já implementadas e a serem implementadas, no nosso grande encontro (EnANPAD) e nos temáticos, devem resultar no estabelecimento de agendas de pesquisa já mencionadas e, quiçá, sensibilizem as agências de fomento para a importância da área no desenvolvimento do país. ">

Ao longo de quase 30 anos a nossa área de conhecimento tem observado uma fantástica taxa de crescimento. Isto é muito bom e implica em constante processo de mudança. Aliás, tema recorrente em nossas aulas e pesquisas. Mudança parece ser o que existe de constante para todos que labutam na área. Costumo dizer que é um problema bom de resolver, pois ele decorre do sucesso. Sucesso em quantidade e também em qualidade.

As recentes mudanças implementadas nas temáticas do próximo EnANPAD, a ser realizado em Brasília, no período de 17 a 21 de setembro, parecem-me ser um passo na direção da modernidade de nossas atividades. Por decisão da Assembléia dos Programas Associados, as diversas temáticas foram aglutinadas em 10 Divisões Acadêmicas (a de Ensino e Pesquisa em Administração e Contabilidade, foi acrescida ad referendum posteriormente). A lógica predominante foi, sem dúvidas, a de aumentar a consistência na submissão dos trabalhos e, no médio prazo, criar uma condição que induzisse o estabelecimento de agendas de pesquisa, as quais devem resultar em acúmulo significativo do conhecimento da administração das organizações que operam no Brasil. Foi apenas um passo em uma longa caminhada acadêmica.
Nesta linha, gostaria ainda de observar que na escolha dos Coordenadores das Divisões Acadêmicas foi introduzido um princípio democrático de consulta aos associados das mesmas. Tal prática, que teve a devida aprovação da Assembléia por proposta da antiga Diretoria, incrementou de modo significativo a importância dos pesquisadores em tornarem-se sócios, como indivíduos, da ANPAD. Eles passaram a ter poder de decisão na escolha dos Coordenadores, ainda que a Diretoria da ANPAD tenha a prerrogativa da escolha final entre os mais votados. Isto me parece justo, em face de considerações geo-acadêmicas de representatividade. Por sua vez, os Coordenadores de Divisão Acadêmica em acordo com a Diretoria, indicaram os Coordenadores das Áreas Temáticas. No total, foram estabelecidas 10 divisões e 29 áreas temáticas. Caracteriza-se visivelmente uma descentralização que deve tornar mais eficiente o processo de seleção dos artigos submetidos, em especial no EnANPAD.

Esta é uma outra questão que está por merecer mudança. Apesar da atenção criteriosa que é dada à avaliação dos artigos submetidos (incluindo, por exemplo, o blind review, a normalização de notas atribuídas e a padronização de formato), são reconhecidas as dificuldades em manter uma elevada consistência na qualidade e densidade acadêmica de análise nos pareceres emitidos por nossos avaliadores, todos, sem exceção, voluntários. O ponto crucial aqui, está relacionado ora com a quantidade de artigos a serem avaliados ora com o número elevado de avaliadores. Há de se pensar, para os próximos encontros, em uma pré-seleção talvez de resumos expandidos e posterior submissão de trabalhos completos para os melhores avaliados. É uma idéia, como também é a cobrança de taxa para cada submissão, com o valor descontado na inscrição para o evento. São mudanças que estão sendo maturadas com as lideranças e, em tendo boa receptividade, deverão ser implementadas, em breve.

A questão relacionada com a identidade dos encontros temáticos (EnEO, 3Es, EMA, EnAPG, etc) também deve ser discutida e analisada. A quantidade de trabalhos submetidos nesses encontros tem sido equivalente, às vezes maior, do que a sua correspondente Divisão no EnANPAD. Alguns artigos, todavia, carecem de enquadramento, isto é manda-se o artigo sem ter uma preocupação de verificar, com atenção, ao menos a pertinência em relação à temática. São encontros bianuais, cujas identidades precisam ser mais bem definidas. Será que eles devem ter o formato dos EnANPADs? E o que se pode fazer em relação a estrutura de custos fixos decorrente? Talvez devessem ser encontros mais seletivos nos trabalhos aceitos, talvez mais diretivos em estabelecer o horizonte acadêmico na temática.

Por fim, mas não menos importante, entendo que, balizadas pela crença absoluta em procedimentos mais participativos, as mudanças já implementadas e a serem implementadas, no nosso grande encontro (EnANPAD) e nos temáticos, devem resultar no estabelecimento de agendas de pesquisa já mencionadas e, quiçá, sensibilizem as agências de fomento para a importância da área no desenvolvimento do país.




Novo livro de professora da Ebape: Métodos de Pesquisa em Administração
A Editora Atlas acaba de lançar o livro Métodos de Pesquisa em Administração, de autoria de Sylvia Constant Vergara, professora titular da Ebape/FGV. Trata-se de um livro prático que apresenta 22 métodos de pesquisa, exemplificados através de pesquisas já publicadas.

Revista de Administração de Empresas
A Revista de Administração de Empresas (ERA) está fazendo chamada de trabalho para o Fórum Especial Conhecimento Científico em Marketing no Brasil: Perspectivas para o Desenvolvimento da Pesquisa e da Teoria. Os colaboradores podem submeter seus artigos até o dia 15 de abril, através do site www.era.com.br. Serão aceitos trabalhos de desenvolvimento teórico e também aqueles baseados em pesquisas empíricas. Os organizadores são Carlos Alberto Vargas Rossi (EA/UFRGS), Paulo César Motta (IAG/PUC-Rio) e Salomão Alencar de Farias (MKP/Propad/UFPE).

Livro sobre estratégia empresarial
Os professores Martinho Isnard Ribeiro de Almeida, da FEA/USP, e Benny Kramer Costa, da UFRN e da FIA, organizadores, e um grupo de autores lançam o livro Estratégia, Direcionando Negócios e Organizações, publicado pela Editora Atlas. A obra teve origem nos congressos internacionais da Sociedade Latino-Americana de Estratégia (Slade), de onde foram selecionados os melhores trabalhos apresentados por autores brasileiros e complementados por estudos de outros pesquisadores.

ADM.MADE recebe artigos inéditos
A Revista ADM.MADE, classificada no Qualis/CAPES e editada pelo Programa de Mestrado em Administração e Desenvolvimento Empresarial (MADE), está aceitando artigos para publicação. Os trabalhos devem ser inéditos e podem ser produzidos por autores nacionais e estrangeiros, tratando de temas relacionados à Administração, resultantes de estudos teóricos, pesquisas, reflexões sobre práticas concretas, etc. Mais detalhes no site www.estacio.br/revistamade.