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Pesquisa Avançada

Informativo 9/Out - Nov - Dez/2005


Informação Sobre Pesquisa ? Uma Sugestão
Foi-me pedido para escrever esse editorial do Informativo ANPAD, e eu me deparei com a questão: “que informação poderia, ainda, incentivar o desenvolvimento da comunidade de pesquisadores em administração no Brasil?”. Pergunta sonhadora e certamente difusa que, pelo menos por isso, está na obrigação de explicar-se. “Ainda”, é essa a palavra diferenciadora. Suponho que já haja informação em larga escala, inclusive a informação-fonte que nos é acessível das áreas científicas próximas. Algo mais, no entanto, é sugerido por esse “ainda”, que equivaleria tanto a um “além disso” quanto a algo de alguma forma diferente de todos os instrumentos de informação que criamos ou aproveitamos nessas últimas décadas. Prossigo esclarecendo a expressão pelo seu contexto: “o incentivo ao desenvolvimento”, um olhar que se projeta para o futuro e onde a informação, não fosse apenas insumo e fonte da pesquisa, mas também agregasse uma energia integradora, algo próprio do mundo humano, o incentivo.

O grande incentivo a um pesquisador é o outro pesquisador. O que este está fazendo, ou o fato mesmo de ele também estar fazendo pesquisa – já que a boa pesquisa é uma atividade algo solitária, desafiadora e perigosa, ou, pelo menos, algo que vai em contra-fluxo às atividades de massa a que as sociedades urbanas de hoje se entregam freneticamente. Então a informação sobre outro pesquisador, ou sobre o que faz, traz sempre consigo certa dose de incentivo, a depender do “tipo social de linguagem”, como diria Bakhtin. Cada artigo ou livro escrito por um pesquisador incentiva o outro; em cada evento em que se encontram e apresentam face-a-face seus trabalhos, um pesquisador incentiva o outro. Contudo, o “ainda”, na pergunta inicial, pensava em algo mais que isso e, muito especificamente, algo voltado para incentivo que se ordenasse a passos futuros, ao desenvolvimento de todos.

A questão é: a informação sobre o que pretendem hoje os pesquisadores pesquisar amanhã poderia ser um fator de incentivo adicional ao desenvolvimento pela convergência de intenções?

Explico-me. Todos reconhecem a contribuição que têm significado para nós os trabalhos do tipo “levantamento do estado da arte”, que surgiram com esse formato ainda no início dos anos 90, embora a produção reflexiva seja de fato anterior e abundante. Refaz-se ali, de forma atenta, o caminho percorrido em determinada linha de interesse ou na forma de trabalhar (BERTERO, 1984)*. Sem dúvida, a intenção é informar sobre elemento mais permanente que se projetaria para o futuro, a identidade acadêmica da comunidade. Tal identidade, aliás, foi tema de discussões candentes no fim da década dos 90 ou início da presente. Está em todos esses esforços presente a idéia de que somos uma tradição que se reconhece aos poucos e que precisa mirar-se no próprio passado. Mesmo assim, os anos recentes têm trazido surpresas em termos de interesse e método, no rastro de uma expansão vertiginosa da ANPAD. Surgem mais explícitas as reflexões do tipo “para onde vamos?”, como se, após olhar para trás, fosse maior a vontade de inquirir-se sobre o que se seguirá.

Ora, em todos esses trabalhos, a própria exigência do método cientifico define a démarche de ver a partir do que pensaram e desejaram os pesquisadores no passado. Ali estão os fatos, ali a base segura de inferência. Essa é a estrutura da informação ex post que deve ter incentivado muitos de nós. Nesse contexto, no entanto, se voltaria a re-significar as perguntas feitas acima, agora postas em seqüência: “que informação poderia, ainda, incentivar o desenvolvimento da comunidade de pesquisadores em administração no Brasil?” e “a informação sobre o que pretendem hoje os pesquisadores pesquisar amanhã poderia ser um fator de incentivo adicional ao desenvolvimento pela convergência de intenções?”.

Por que não se pensar em agendas de intenções de pesquisa ou de modos de pesquisar?

Aqui se faz urgente uma advertência para se prevenirem mal-entendidos. “Agenda” não significa programa coletivo de trabalho. Isso feriria o coração da liberdade acadêmica. Nada de dirigismos, nada de consensos hegemônicos, nada de ameaças ao pluralismo, nada de incentivo a tendências. Ao contrário, toda fé na diversidade, na força criadora do dissenso, na atitude crítica e até no valor (de longo prazo) das idiossincrasias – afinal, geralmente não são os próprios autores ditos idiossincráticos que assim se classificam... Insisto: é preciso crer na originalidade criativa e crítica do espírito humano como fonte e esperança de renovação das culturas e de realização humana individual. Sobre tal valor se assentam as melhores instituições acadêmicas de pesquisa, mesmo com risco e culpas por individualismos e desvios. O pluralismo e a (aparente) desordem ou dissonância são traço próprio da complexidade e lei dos misteriosos caminhos trilhados pelas civilizações que perduram. Nenhum pesquisador tem autoridade pessoal para determinar o que e como um outro deve pesquisar, mesmo que haja, por parte de grupos, restrições de interesse e área, apresentadas a membros e candidatos como condição de aceite, e que haja excessos de orientadores no condicionamento do trabalho de orientandos, nem sempre inclinados em seguir-lhes os passos.

Assim, as agendas de que se fala aqui seriam mecanismos de informação oferecidos a cada um sobre os outros e sobre as tendências futuras que, a partir de tal informação, se configuram. Chamar-se-iam até “cenários futuros” se não se estivesse aqui diante de uma categoria relativa a vontades. A convergência de intenções de pesquisa permaneceria imponderável, uma incógnita, uma variável aleatória, ou, melhor, uma força interior livre. Permaneceriam o arbítrio e o critério pessoal, junto com o reconhecimento das razões convergentes e o potencial de cooperação emergente das informações consolidadas. Não se fala de uma convergência, mas de várias simultâneas e, ainda assim, do direito e valor das divergências. O que se destaca é que a informação sobre o que colegas e grupos, talvez distantes, pretendem pesquisar nos próximos anos pode promover encontros, gerar oportunidades únicas e até salvar o potencial de carreiras jovens ou recompensar, com o reconhecimento, carreiras maduras. – Assim se estabeleceria uma ponte entre carreiras jovens e maduras, rompendo o isolamento.

Como se fariam tais agendas? Vamos re-frasear: de que maneiras alternativas poderiam ser promovidas? A pergunta fundamental é uma só: “Que – ou como – pretende você pesquisar nos próximos três, cinco anos?” Por exemplo, um levantamento, por formulário semi-padronizado de, no máximo, uma página, segundo áreas temáticas, seria respondido individualmente ou por grupo de pesquisa. Em seguida, um ordenamento mínimo e uma indexação cuidadosa produziriam a Agenda em sua “forma bruta”, um banco de dados, útil para pesquisa de todos através de índice remissivo (palavras-chave sugeridas inicialmente pelos próprios pesquisadores). Em tal banco de dados, inclusive, alguém poderia saber o endereço eletrônico de outrem, atual ou futuramente com interesses idênticos. A partir daí, os contatos poderiam fazer-se naturalmente.

As categorias em que se viesse a pedir a informação no formulário dariam origem a uma versão sintética comentada, com algum esforço de detectar tendências. O resultado do levantamento inicial poderia sugerir ainda refinamentos – mas isso fica em aberto. Em edições posteriores (trienal, por ex.), a Agenda seria periodicamente renovada. Encontros para discussão face-a-face ou grupos virtuais de discussão em torno de uma dessas versões sintéticas da Agenda, também poderiam ser interessantes, desde que não fossem tomadas aí decisões que cabem aos programas e grupos de pesquisa, recusada a tais encontros legitimidade para exigir desses a dedicação a determinados temas e métodos de pesquisa.

Bem, essa é a idéia, a informação que talvez ainda faltasse, um incentivo que talvez contribuísse para acelerar nosso amadurecimento como área de pesquisa nesse país. Ela em nada dispensa as outras formas de revisão da produção acadêmica e reflexão sobre rumos. Propõe, apenas, acrescentar-se algo, e, tratando-se a Agenda de Pesquisa de simples mecanismo de informação, esse espaço no Informativo ANPAD me pareceu adequado.

Pedro Lincoln C. L. de Mattos
Coordenador da Divisão de Ensino e Pesquisa

* BERTERO, Carlos Osmar. O ensino de metodologia de pesquisa em administração. Revista de Administração de Empresas, v. 24, n. 4, p. 137-140, 1984.
Não sendo este um texto acadêmico formal, não faço referência completa às obras aludidas. Limito-me a este autor por ser um dos primeiros no gênero e nele ter escrito pelo menos mais três artigos.




II Seminário Nacional
A Tecnologia da Informação e da Comunicação
Desafios e Propostas Estratégicas
Coordenação: Profa. Dra. Fátima Bayma de Oliveira
Datas: 23,24 e 25 de novembro de 2005-10-18
Local: Fundação Getulio Vargas
Praia de Botafogo, 190 auditório do 5º andar
Rio de Janeiro-RJ
Para acessar o programa completo, visite http://www.ebape.fgv.br/tic2


I Seminário sobre Valores Religiosos e Organizações
O Núcleo de Pesquisa Mack GVal, integrante da Faculdade de Ciências Econômicas, Contábeis e Administrativas da Universidade Presbiteriana Mackenzie, a EAESP/FGV e a Revista de Administração de Empresas-RAE, realizaram, em 25 de agosto de 2005, o I Seminário sobre Valores Religiosos e Organizações.
Entre os termas abordados estão: valores religiosos e teoria das organizações, o estudo científico de valores religiosos, valores e organizações, e valores religiosos e gestão.
O seminário visou fomentar reflexões e insights, sem qualquer caráter prescritivo, aproximando pessoas interessadas em gerar conhecimento sobre o tema. Participaram do seminário cerca de 50 pessoas, tendo como palestrantes o Prof. Dr. Carlos Omar Bertero, a Profa. Dra. Maria Luisa MendesTeixeira e o Prof. Dr. Ricardo Quadros Gouvêa, e como debatedores o Prof. Dr. Reynaldo Marcondes, o doutorando Mauricio C. Serafim e a Profa. Dra. Maria José Tonelli.



Seleção para mestrado na Unisinos
O Mestrado em Ciências Contábeis, com área de concentração em Contabilidade e Controladoria, da Unisinos, abre inscrições no período  de 03 de janeiro a 13 de fevereiro de 2006. Informações adicionais: www.unisinos.br/ppg/contabeis ou na Secretaria do Programa, na Av. Unisinos, 950, em São Leopoldo/RS, e-mail: ppgeconomicas@unisinos.br">ppgeconomicas@unisinos.br, Fone (51) 3590.8186

Seleção para mestrado na Unisinos
O Mestrado em Administração, com área de concentração em Organizações e Competitividade, da Unisinos, abre inscrições no período  de 03 de janeiro a 13 de fevereiro de 2006. Informações adicionais: www.unisinos.br/ppg/contabeis ou na Secretaria do Programa, na Av. Unisinos, 950, em São Leopoldo/RS, e-mail: ppgeconomicas@unisinos.br">ppgeconomicas@unisinos.br, Fone (51) 3590.8186

Seleção para mestrado na UNIFOR
O Mestrado em Administração da Universidade de Fortaleza (UNIFOR) abre inscrições no período de 03 de outubro a 21 de outubro de 2005. O Curso atua nas linhas de pesquisa Estratégia Empresarial e Gestão Organizacional.
Informações adicionais: www.unifor.br ou cma@unifor.br">cma@unifor.br


Seleção para EBAPE/FGV

Curso de Mestrado em Administração Pública
Período de inscrições: até 04 de novembro de 2005
Curso de Doutorado em Administração
Período de inscrições: até 04 de novembro de 2005
Informações adicionais: www.ebape.fgv.br



Destaques Fucape

A Fucape ganha destaque em diversas áreas: recém divulgou os vencedores do 3º Prêmio Prof. Eliseu Martins, no qual os três primeiros colocados  foram Gustavo Antunes (UFMG), Arnildo Müller (UVV-Guaçuí) e Antônio Pereira (FACED-MG); o vencedor do Juri Popular foi Werrison Euletério. Seu Diretor de Pesquisas, Alexsandro Broedel, lançou em co-autoria com o ex-diretor do banco Central Eliseu Martins o livro 'Teoria da Contabilidade: Uma Nova Abordagem'. A instituição vem se destacando, ainda, como o 2º Centro de Pesquisa mais produtivo do país; conquistou o 2º lugar na área de Contabilidade e Finanças no XXIX EnANPAD, o mais importante Encontro Científico de Administração e Contabilidade do país; também está entre as três instituições com maior número de trabalhos aprovados no 5º Congresso USP de Controladoria e Contabilidade, totalizando 13 trabalhos aprovados. Na área de publicações, acaba de ser lançada a 2ª Edição do Fucape Debates, sob a coordenação dos economistas Arilton Teixeira e Hamilton Kai, o boletim é trimestral e apresenta análises sobre tópicos atuais e que estejam em destaque no cenário nacional. E sua pesquisadora e mestre em Ciências Contábeis, Flávia Dalmácio, apresentará o artigo “A Gestão de Contratos de Jogadores de Futebol: Uma Análise das Decisões Identificadas no Caso do Clube Brasileiro Atlético Paranaense” durante o Cladea – Consejo Latinoamericano de Escuelas de Administración, que será realizado de 20 a 22 de outubro, em Santiago, no Chile; o trabalho foi desenvolvido junto com os pesquisadores da USP Amaury Rezende e Carlos Pereira.



EBAPE participa do EGOV 2005
O Prof. Luiz Antonio Joia participou da 4ª Conferência Internacional em Governo Eletrônico, ocorrida de 22 a 25 de agosto de 2005, em Copenhagen, Dinamarca. O Prof. Joia apresentou o artigo “An inter-american network for capacity-building in electronic government”.

Universidade Federal de Lavras - MG
O Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade Federal de Lavras - MG, está recebendo neste mês de novembro a visita dos professores da Universidade de Wageningen - Holanda. São eles: Prof. Dr. Simon W. F. Omta e Profa. Dra. Francisca T. J. M. Fortuin.


Mensagem da Presidência
Um encontro acadêmico já foi descrito como um misto de teatro e mercado, mas sempre envolvendo um clima de festa. É a euforia de encontrar pessoas, aproveitar para acertar ponteiros, buscar novas oportunidades profissionais e exercitar o aguçado senso crítico contra teorias, pessoas e organizações e não raro contra a ordem instituída. Afinal o que nos tornou trabalhadores acadêmicos foi, ao fim e ao cabo, um sentimento de desconforto para com o mundo. Estamos no mundo, mas de certa maneira não pertencemos a ele, como ele é. Gostaríamos que fosse diverso. A opção acadêmica é de alguma forma a escolha por um distanciamento crítico da realidade. Importante que o distanciamento não se transforme em alienação.

Este EnANPAD é o primeiro que se realiza em nosso mandato e também com as Divisões em atividade. As divisões, criadas no final da gestão anterior tiveram seus coordenadores e responsáveis por áreas temáticas designadas no início deste ano e se encarregaram das tarefas de preparação do Encontro. Isto foi especialmente a escolha de avaliadores e a supervisão do processo de avaliação anônima (blind review). O processo de avaliação é sempre um ponto de potencial fragilidade num encontro desta natureza e no mundo acadêmico como um todo. Nenhum processo de avaliação é perfeito, da mesma forma que nenhum sistema legal é perfeitamente justo. Os mais inclinados ao ceticismo, com algum cinismo, chegam a dizer que não se espera que juízes façam justiça, mas que apenas julguem. Adotada a mesma posição com relação às nossas avaliações cegas na academia se diria que não se espera que os melhores trabalhos sejam aprovados, apresentados e publicados, mas que sejam apenas avaliados. Concordo que parar por aqui seria sinal de extrema crueldade. Por isto, vamos adiante.

Um processo de avaliação pelos pares contém um elemento de democracia e de submissão de todos ao julgamento de todos. Implica em aceitar as decisões finais, mesmo que discorde delas, e no limite, aceitar até mesmo o que possa ser uma avaliação injusta. Ninguém que escreve regularmente deixou de ter um ou diversos trabalhos rejeitados, incluindo este presidente que aqui escreve. Os julgamentos ou avaliações exprimem as competências e concepções dos avaliadores. Se o sistema é de avaliação por pares pode-se dizer que as avaliações acabam por expressar a própria comunidade. Se o resultado das avaliações é considerado insatisfatório o que se propõe? Anulá-lo ou criar um processo de recursos e revisões mais ou menos cabuloso? Se a decisão for de anulá-lo isto implicaria em propor um sistema alternativo. Acredito que a única solução possível no caso seria a adoção de um Conselho de Sábios que avaliaria inapelavelmente os trabalhos, e a cuja decisão todos então se submeteriam sem se sentir injustiçados.

Realisticamente a solução para o problema das avaliações é o mesmo que se adota para todas as soluções democráticas. O sistema será melhorado quando a crítica for seguida também de iniciativas para participar do processo com o propósito de aprimorá-lo. . Quando se fala num processo de avaliação anônima por pares, os que atuam como avaliadores estão a prestar anônima e discretamente um serviço à comunidade. A melhoria do processo de avaliação é necessariamente gradual e pressupõe o envolvimento de todos e especialmente daqueles que melhor percebem as falhas do sistema.
O nosso EnANPAD 2005 continua tendo um modesto perfil internacional. Nada a estranhar pelo fato de ser um espelho de nossa comunidade acadêmica de administração, contabilidade e turismo. Poucos trabalhos apresentados por colegas de outros países e pouca participação de estrangeiros nas atividades do encontro. É a manifestação de nosso relativo isolamento. A questão da internacionalização desperta uma sensação de desconforto, mas por razões até opostas.

Num extremo há aqueles que lamentam não estarmos ainda devidamente “internacionalizados”. Isto implicaria em nos unirmos ao chamado mainstream. Não apenas escrevendo e falando de preferência em inglês, mas adotando idéias, teorias e propósitos semelhantes aos existentes nos principais núcleos acadêmicos do Atlântico Norte. Aqui se mencionam as oportunidades perdidas em termos de projetos conjuntos de pesquisa, docência e educação executiva por não integrarmos o mainstream.

No outro extremo há os que vêem a internacionalização sob a ótica da rendição inevitável ao mainstream, que significaria o mundo atual com todas as suas dificuldades, injustiças e inadequações. O mainstream seria caudatário, defensor e cúmplice de uma ordem que consolida as dicotomias centro-periferia, norte-sul, incluídos-excluídos, desenvolvidos-sub-desenvolvidos e assim por diante. Não internacionalizar-se seria conseqüentemente demonstração de lucidez no plano da inteligência e um dever no plano moral. A internacionalização aqui percebida como possível seria exatamente a que mantivesse a consciência destas dicotomias e procurasse fazer do processo de internacionalização uma espécie de ajuste de contas, onde se batalharia pela eliminação ou superação das várias dicotomias. Mas o alerta fundamental é que a internacionalização não pode ser cogitada pressupondo igualdade de condições. A consciência das dicotomias deverá informar os passos da internacionalização.

Não vamos recair no comodismo aristotélico da virtude estar mo meio. É inegável que as duas posições extremas não deixam de marcar tentos. Mas a internacionalização da comunidade acadêmica brasileira, que deve encontrar expressão nos nosso EnANPADs, não pode ser abandonada. O isolamento como princípio é inviável. A realidade nos mostra que não existe nada de absolutamente genuíno ou autóctone. As culturas que aparentam maior singularidade não resistem a uma análise que mostra serem o resultado de seculares processos de aculturação ou mescla de várias culturas. As próprias teorias usadas por nós todos, não importa de que lado estejamos com relação à internacionalização, são de origem forânea. Os diversos ismos surgiram todos no Atlântico Norte, a maioria deles na Europa.

É importante que se entre no processo levando em conta que as dicotomias não podem ser ignoradas. Isto evita submissões, rebeldias e arrogâncias. Internacionalizar não significa no limite americanizar-se ou europeizar-se. É possível falar inglês e não ser americano. Internacionalizar-se implica em atitude de humildade de ambos os lados. Estou aqui a incluir as dicotomias. Os mais ricos, poderosos e dominadores de maior volume de conhecimentos tem que estar atentos que não tem somente que ensinar e transmitir mas também ouvir, receber e apreender. A humildade implica em admitir que todos tem algo a transmitir. Mesmo os que se encontram no lado menos favorável da dicotomia tem uma experiência a transmitir que pode ser útil e proveitosa aos que se encontram do outro lado.

A internacionalização só é viável e só merece tal designação se for um processo onde ao final todos se enriquecem, ou uma situação ganha/ganha para ficar com a teoria dos jogos. Ela implica necessariamente humildade e disposições respeitosas das partes envolvidas.

Mas ao final desta introdução só nos resta agradecer em nome da diretoria da ANPAD a todos os que contribuíram para que o encontro acontecesse. Primeiramente aos coordenadores e responsáveis pelas áreas temáticas das divisões e a todos os avaliadores e especialmente a todos os presentes que com seus trabalhos e suas presenças nos prestigiam. Com o agradecimento peço que continuem a prestigiar por todos os meios a nossa Associação Nacional de Pós Graduação e Pesquisa em Administração e isto inclui o desfrute das companhias, do mercado e da festa.


Edição Especial de Gestão.Org, sobre Metodologia
Foi lançada Edição Especial, sobre Metodologia, da revista eletrônica Gestão.Org, do Programa de Pós-Graduação em Administração – PROPAD, da UFPE, disponível no site http://www.gestaoorg.dca.ufpe.br/interna_edicao_1.htm . Ela é um lançamento comemorativo dos 10 anos do PROPAD, e ali você encontra, além do editorial, seis artigos e uma resenha, promovendo discussões de vanguarda sobre metodologia e métodos.

O corpo docente da EBAPE/FGV lança cinco livros
Disciplina Fiscal e Qualidade do Gasto Público
Armando Cunha e Fernando Rezende

Pesquisa Qualitativa em Administração: teoria e prática
Marcelo Milano Falcão Vieira e Deborah Moraes Zouain (orgs)

O Gerente Equalizador: estratégias de gestão no setor público
Bianor Scelza Cavalcanti

Desenvolvimento e construção nacional: política econômica
Rogério Sobreira e Marco Aurélio Ruediger (orgs)

Desenvolvimento e construção nacional: políticas públicas
Bianor Scelza Cavalcanti, Marco Aurélio Ruediger, Rogério Sobreira (orgs)



Cadernos EBAPE.BR lança Edição Especial
No momento em que a área de pesquisa sobre atividades tecnológicas inovadoras em empresas de economias em desenvolvimento completa 30 anos, o periódico CADERNOS EBAPE.BR lança a Edição Especial “ Gestão Tecnológica e Inovação: experiências no Brasil e na América Latina”, que reúne 18 artigos inéditos, escritos por autores nacionais e estrangeiros.
Para acessar a revista eletrônica, visite www.ebape.fgv.br/cadernosebape